Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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caracacaraca | s. f.
caracacaraca | interj.
caraçacaraça | s. f. | adj. s. m. | interj.
Será que queria dizer caraça?
Sabia que? Pode consultar o significado de qualquer palavra abaixo com um clique. Experimente!

ca·ra·ca ca·ra·ca 1
(origem controversa)
substantivo feminino

1. Antigo navio português de cerca de 200 toneladas. = CARRACA

2. [Brasil]   [Brasil]   [Zoologia]   [Zoologia]  Crustáceo que adere a rochas e estacas e ao costado de navios. = CRACA

3. [Brasil]   [Brasil]  Casca seca de ferida em cicatrização. = CROSTA

4. [Brasil]   [Brasil]  Muco seco do nariz. = CATARACA, MELECA


ca·ra·ca ca·ra·ca 2
(alteração de caraco)
interjeição

[Brasil, Informal]   [Brasil, Informal]  Expressão que indica espanto, irritação, desgosto ou surpresa.


ca·ra·ça ca·ra·ça
(cara + -aça)
substantivo feminino

1. Cara grande. = CARÃO

2. Máscara, geralmente de papelão.

adjectivo e substantivo masculino
adjetivo e substantivo masculino

3. Diz-se de ou boi ou cavalo que tem malha branca na frente do focinho.


caraças
interjeição

4. [Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Exprime espanto, impaciência ou indignação.


como o caraças
[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Com grande intensidade.

[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Em grande quantidade.

do caraças
[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Muito grande (ex.: és um mentiroso do caraças). = DO CANECO, DO CATANO

[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Admirável, espectacular ou sensacional (ex.: o filme é do caraças). = DO CATANO

o caraças
[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Exclamação que indica desacordo relativo a afirmação anterior (ex.: figura incontornável, o caraças). = O TANAS

para caraças
[Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  O mesmo que como o caraças.

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Dúvidas linguísticas


Qual é o correto: hoje é dia 16 ou hoje são 16?
As duas formas (hoje é dia 16/hoje são 16) estão correctas, pois o verbo ser está a concordar com o predicativo do sujeito no singular (dia 16) ou no plural (16).

O que poderia colocar dúvidas de correcção seria hoje é 16, pois nesse caso não haveria concordância com o predicativo do sujeito. Este caso pode ser interpretado de duas maneiras:

1) Trata-se de uma construção impessoal, isto é, sem sujeito, porque a palavra hoje seria apenas um adjunto adverbial e por isso o verbo, não podendo concordar com o sujeito, deve concordar com o predicativo do sujeito (hoje são 16). Outro exemplo muito semelhante é o das horas (ex.: São 16 horas, ou, se quiséssemos encontrar um adjunto adverbial semelhante, Agora são 16 horas). De acordo com esta interpretação, a construção hoje é 16 estaria incorrecta; no entanto, esta construção é muitas vezes aceite por se entender que a palavra dia está subentendida (hoje é [dia] 16).
2) Trata-se de uma construção em que hoje é sujeito, à semelhança de uma construção como A próxima sexta-feira é dia 16 ou As próximas sextas-feiras serão dia 16 e dia 23. Neste caso, se se entendesse que hoje é sujeito, o verbo poderia concordar com o sujeito ou com o predicativo do sujeito, isto é, as construções Hoje é 16 ou Hoje são 16 estariam correctas.




Em português, há algum fenómeno especial com os advérbios em -mente quando vão seguidos numa frase (ou com uma conjunção no meio)? Tanto em espanhol como em catalão há um comportamento curioso, em que algum dos advérbios perde o -mente: Simple y llanamente (em espanhol, se há dois ou mais, só o último fica "completo"); Exclusivament i principal (em catalão, não é obrigatório mas, se acontece, só o último fica sem o -mente). Li que o francês e o italiano mantêm sempre o -mente. E em português?
Na coordenação de advérbios terminados em -mente, é muito usual o apagamento do sufixo -mente no primeiro advérbio (ex.: esta situação é pura e simplesmente absurda; ele é directa e indirectamente responsável por esta situação; alguns professores contribuem discreta, mas poderosamente para a formação da matriz cultural dos alunos), ou em todos menos no último, no caso de coordenações com mais do que dois (ex.: respondera leviana, mal-educada e grosseiramente). Note-se que nos casos de advérbios resultantes de adjectivos graficamente acentuados, a forma com -mente não tem acento gráfico (ex.: ele é fisicamente atraente) mas na coordenação de advérbios o advérbio reduzido retoma a forma acentuada do adjectivo (ex.: o atleta está física e mentalmente confiante).
Este procedimento, apesar de ser muito habitual e recomendado por muitas gramáticas, não é obrigatório e não invalida a coordenação de advérbios sem qualquer elisão dos sufixos (ex.: normalmente, as listas eleitorais são inteiramente ou maioritariamente compostas por cidadãos nacionais).

O fenómeno de apagamento em estruturas de coordenação não é exclusivo da coordenação de advérbios em -mente, mas acontece também em palavras com alguns prefixos ou elementos de composição prefixais (ex.: deixou de pré ou pós-datar os cheques; os alunos farão auto e heteroavaliação), embora com aceitação menos consensual. Sobre este assunto, poderá consultar o artigo "Quando meia palavra basta: Apagamento de palavras fonológicas em estruturas coordenadas", de Marina VIGÁRIO, in Ivo Castro e Inês Duarte (org.) Razões e Emoção. Miscelânea de estudos em homenagem a Maria Helena Mira Mateus. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 415-435 (versão disponível em http://labfon.letras.ulisboa.pt/SonseMelodias/Vigario2003.pdf).

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Palavra do dia

ja·ne·a·nes ja·ne·a·nes
(talvez de João Anes, antropónimo)
substantivo de dois géneros e de dois números

1. [Antigo]   [Antigo]  Pessoa que se considera ter pouca importância. = BIGORRILHAS, JAGODES, JOÃO-NINGUÉM, ZÉ-NINGUÉM

adjectivo de dois géneros e dois números e substantivo feminino de dois números
adjetivo de dois géneros e dois números e substantivo feminino de dois números

2. [Viticultura]   [Viticultura]  Diz-se de ou casta de uva. = SEM-NOME

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/caraca [consultado em 19-09-2018]