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Julho

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Julhojulhojulho
( Ju·lho ju·lho

ju·lho

)


nome masculino

Sétimo mês do ano civil.

sinonimo ou antonimo Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: julho.
sinonimo ou antonimo Grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990: Julho.
grafiaGrafia no Brasil:julho.
grafiaGrafia em Portugal:Julho.

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Esta palavra no dicionário



Dúvidas linguísticas



É absurdo dizer "voltagem" é um termo da Física ou da Engenharia Eletrotécnica! O termo científico é Tensão Elétrica, diferença de potencial. "Voltagem" é calão, trata-se de linguagem não qualificada e que por excesso de uso entrou na linguagem corriqueira! Não existe "voltagem", nem "amperagem", nem "ohmagem", nem "wattagem", nem qualquer outro disparate a nível eletrotécnico!
Em relação à definição da palavra voltagem, o Dicionário Priberam regista os significados que ela apresenta na língua, nomeadamente o de "tensão eléctrica" (ex.: o ar condicionado pode parar de funcionar devido a uma grande oscilação de voltagem), tal como o fazem outros dicionários de português, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa ou o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Este registo corresponde a um uso efectivo na língua, que pode ser verificado em diversos corpora e motores de pesquisa, com ocorrências quer em texto técnico, quer em texto jornalístico, embora este uso seja pouco recomendável do ponto de vista terminológico, como se explica de seguida.

Regra geral, o nome das grandezas não deve fazer referência às unidades em que elas são expressas, mas há excepções consagradas pelo uso. A Comissão Electrotécnica Internacional (em inglês, International Electrotechnical Commission, IEC) que, juntamente com a Organização Internacional de Normalização (em inglês, International Organization for Standardization, ISO), é uma das entidades internacionais de normalização de tecnologias eléctricas, electrónicas e relacionadas, afirma isso mesmo no seu International Electrotechnical Vocabulary (IEV), disponível online desde 2007 em https://www.electropedia.org/.

Na entrada quantity name (nome de grandeza) o IEV faz a seguinte ressalva na nota 3 (tradução nossa): “Em princípio, o nome de uma grandeza não deve fazer referência a nenhum nome de unidade, embora haja excepções: por exemplo, “voltagem” e "molar", como qualificador de um nome de grandeza”.

A mesma obra, na entrada voltage faz a mesma ressalva na nota 2 (tradução nossa): «O nome “voltage”, comummente usado em língua inglesa, é uma excepção ao princípio de que um nome de grandeza não deve fazer referência a nenhum nome de unidade.»

Posteriormente ao IEV, a série de normas internacionais ISO 80000 ou IEC 80000, desenvolvidas e publicadas em conjunto pela ISO e pela IEC, também faz referência a esta questão.

A norma IEC 80000-6:2008, Quantities and units - Part 6: Electromagnetism, tem a seguinte nota no item 6-11.3 voltage, electric tension, quando apresenta os nomes, símbolos e definições das grandezas (tradução nossa): «O nome “voltage”, comummente usado em língua inglesa, é apresentado no IEV, mas é uma excepção ao princípio de que um nome de grandeza não deve fazer referência a nenhum nome de unidade.»

A excepção reflecte-se no texto da própria norma ISO 80000-6:2008, já que o termo voltage tem 21 ocorrências enquanto electric tension ocorre uma única vez em todo o documento.

Talvez com o intuito de clarificar a questão, a norma ISO 80000-1:2009, Quantities and units - Part 1: General, retoma o tema no seu Annex A, Terms in names for physical quantities, mais especificamente no ponto A.1 General (tradução nossa): «[...] Uma vez que as grandezas são sempre independentes da unidade em que são expressas, um nome de grandeza não deve reflectir o nome de nenhuma unidade correspondente. No entanto, existem algumas excepções a esta regra geral, como voltagem. O nome “tensão eléctrica” corresponde à voltagem em muitos idiomas além do inglês. Recomenda-se o uso de “tensão eléctrica” sempre que possível. [...]»

O texto desse anexo refere que esta não é uma questão exclusiva da língua inglesa, recomenda o uso de tensão eléctrica em vez de voltagem, mas não nega a existência deste último, nem impõe a sua eliminação, como também se pode ler no mesmo anexo (tradução nossa): «[...] Não é intenção deste anexo impor regras rigorosas para eliminar os desvios relativamente frequentes que foram incorporados nas várias linguagens científicas. No entanto, os princípios apresentados devem ser seguidos ao nomear novas grandezas. Além disso, na revisão de termos existentes, os desvios destes princípios devem ser examinados criticamente. [...]»

O Instituto Português da Qualidade (IPQ), entidade pública que, entre outras, desempenha funções de organismo nacional de normalização, não se pronuncia explicitamente sobre esta questão nas suas normas. Com efeito, as normas portuguesas NP 2626-112:2010 e NP 2626-121:2009, que correspondem aos capítulos do IEV onde são feitas as ressalvas e notas acima mencionadas, apenas apresentam os equivalentes portugueses dos termos ingleses e franceses definidos no IEV. A norma NP 2626-121:2009 apresenta o equivalente tensão (eléctrica) para o inglês voltage, reproduzindo o equivalente português que é apresentado no IEV. Nos preâmbulos dessas normas o IPQ afirma que elas apresentam “a versão portuguesa do Vocabulário Electrotécnico Internacional (VEI) segundo a CTE 1 e conforme a publicação em língua inglesa pelo Technical Committee 1 (Terminology) da IEC. [...] O VEI está disponível para consulta na página https://www.electropedia.org/.” Ao remeter para essa página, o IPQ remete também para as definições e para as notas aí presentes.

É muito provável que, como ficou exposto acima, o uso de voltagem em português decorra do uso do inglês voltage, termo que também nessa língua não será o mais recomendável terminologicamente, mas este é já um uso consagrado, presente inclusive noutras línguas, como catalão, espanhol, francês ou italiano, conforme pode verificar clicando nas hiperligações para dicionários dessas línguas.

Dada a riqueza da língua, cada falante terá sempre a opção de usar ou não determinadas palavras, consoante as suas necessidades, preferências ou a opção pelo rigor terminológico.




Na frase "Quem encontrou uns óculos no banheiro, favor entregar ao setor de Meio Ambiente", a dúvida é se posso colocar uns óculos, mesmo possuindo um único par de óculos perdidos.
A concordância uns óculos está correcta e *um óculos é um erro a evitar (o asterisco indica agramaticalidade).

O exemplo apontado (óculos) é um caso de pluralia tantum (‘apenas plural’), designação latina dada a palavras ou expressões que correspondem a um plural gramatical, mas que designam um objecto ou referente singular, normalmente formado por duas partes mais ou menos simétricas (outros exemplos serão binóculos ou calças). Com estas palavras tem de haver sempre concordância com a terceira pessoa do plural (ex.: os binóculos partidos estão em cima da mesa; as calças rasgadas foram cosidas), pois gramaticalmente são substantivos no plural, mesmo se designam uma realidade única; é também frequente nestes casos o uso do numeral colectivo par de, o que permite fazer concordâncias no singular (ex.: o par de binóculos partidos/partido está em cima da mesa; o par de calças rasgadas/rasgado foi cosido).

A hesitação na utilização da palavra óculos parece resultar de dois factores. O primeiro factor relaciona-se com a influência de um fenómeno relativamente comum no português do Brasil, que consiste na preferência do singular para designar um referente composto por duas peças (ex.: Comprei uma calça nova; Está usando sandália importada), sem que a interpretação implique apenas um elemento do par (repare-se no entanto que as formas *uma calças / *umas calça e *uma sandálias / *umas sandália são incorrectas, como indica o asterisco). O segundo factor, como refere Cláudio Moreno em O Prazer das Palavras (Porto Alegre, RBS Publicações, 2004, p. 122), relaciona-se com o facto de óculos não ser entendido como plural de óculo e ser confundido com um substantivo de dois números (isto é, que tem a mesma forma para o singular e para o plural) terminado em -s, como lápis (ex.: Comprei um lápis novo; Está usando lápis importados). Estes dois factores conjugam-se na construção de estruturas erradas como *meu óculos escuro.