Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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quartoquarto | adj. num. ord. s. m. | s. m. | s. m. pl.
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quar·to quar·to
(latim quartus, -a, -um)
adjectivo, numeral ordinal e substantivo masculino
adjetivo, numeral ordinal e substantivo masculino

1. Que ou o que na ordem ou série vem logo depois do terceiro e antes do quinto.

substantivo masculino

2. Cada uma das quatro partes iguais em que se divide a unidade; quarta parte de um todo. = QUARTA, QUARTEL

3. Quarta parte da hora; quinze minutos (ex.: são três e um quarto; falta um quarto para as nove).

4. Divisão de uma habitação destinada para dormir.

5. Cada uma das divisões de uma habitação (ex.: quarto de jantar). = CÓMODO, COMPARTIMENTO, DEPENDÊNCIA

6. Bala de chumbo pequena.

7. Casco ou vasilha de madeira para líquidos.

8. Mão ou perna de uma rês desde a metade do lombo na altura até metade da barriga na largura.

9. [Astronomia]   [Astronomia]  Cada uma das quatro principais fases da Lua.

10. [Heráldica]   [Heráldica]  Cada uma das quatro partes em que se divide o escudo. = QUARTEL

11. [Marinha]   [Marinha]  Tempo durante o qual uma parte da tripulação está de serviço.

12. [Marinha]   [Marinha]  Peça com que se enche o vau dos quartéis dos mastros, quando não são feitos de um só madeiro. = QUARTEL

13. [Militar]   [Militar]  Tempo durante o qual um soldado está de sentinela.

14. [Vestuário]   [Vestuário]   [Vestuário]  Cada um dos panos de que se compõe um vestido.

15. [Vestuário]   [Vestuário]   [Vestuário]  Cada uma das quatro partes de um casaco compreendidas entre a gola e a primeira costura horizontal.

16. [Veterinária]   [Veterinária]  Fenda do pé do cavalo, desde a coroa do casco até à ferradura.

17. [Zoologia]   [Zoologia]  Cada uma das partes laterais da muralha do casco do cavalo.


quartos
substantivo masculino plural

18. [Brasil]   [Brasil]  Região lombar. = ANCAS, CRUZES, NÁDEGAS, QUADRIS


em quarto
Formato de um livro em que cada folha tem oito páginas. = IN-QUARTO

primeiro quarto
[Astronomia]   [Astronomia]  O mesmo que quarto crescente.

quarto crescente
[Astronomia]   [Astronomia]  Fase da Lua que se apresenta aproximadamente sete dias antes da lua cheia, em forma semelhante à de um D.Ver imagem

quarto de banho
Compartimento dotado de sanita. = CASA DE BANHO, RETRETE

quarto de modorra
A segunda vigia da noite.

quarto de sentinela
Tempo que um soldado está de sentinela.

quarto minguante
[Astronomia]   [Astronomia]  Fase da Lua que se apresenta sete dias antes da lua nova, em forma semelhante à de um C.

segundo quarto
[Astronomia]   [Astronomia]  O mesmo que quarto minguante.

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Dúvidas linguísticas


Venho por este meio colocar-vos uma dúvida em relação à utilização (ou não) do hífen em palavras com o prefixo re- seguidas de e* segundo o novo Acordo Ortográfico (ex.: reedição/reeleger ou re-edição/re-eleger?). Já vi opções diferentes e gostava de saber qual delas está a seguir o Acordo.
Segundo o disposto na Base XVI, 1.º, alínea b) do Acordo Ortográfico de 1990, utiliza-se o hífen “nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento” (ex.: sobre-endividamento, micro-ondas). O texto do Acordo Ortográfico é inequívoco relativamente ao uso de hífen com um prefixo que termina na mesma vogal com que se inicia o elemento seguinte, pelo que esta regra deveria ser também aplicada ao prefixo re-. As regras para o uso do hífen nos casos de prefixação passam, com o Acordo de 1990, a ser gerais e contextuais, ao contrário do Acordo de 1945, que aplicava regras específicas a um prefixo ou a um grupo fechado de prefixos. Para este ponto, o texto legal estabelece uma única excepção, na nota à alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, referindo-se apenas ao prefixo co-, que deverá ser usado sempre sem hífen.

Foi este o entendimento inicial da Priberam, uma vez que outra interpretação contraria claramente a letra e o espírito do Acordo Ortográfico, estabelecendo uma excepção não prevista. A Priberam entende que seria ilógico tomar a excepção prevista para co- como modelo para re-, uma vez que as excepções devem estar explícitas e não se podem deduzir. Também a "Nota Explicativa" (ponto 6.3) reitera o que é referido na base XVI, 1.º, alínea b): "uniformiza-se o não emprego do hífen, do modo seguinte: (...) Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen". Como este não é o caso nas sequências re-e..., o hífen deveria ser usado neste contexto.

Apesar disto, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras (ABL), no seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009), entendeu que deveria instituir uma excepção para o prefixo re-. A única justificação apresentada pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL na "Nota explicativa" (pp. LI a LIII) do referido Vocabulário é que uma das medidas tomadas foi "incluir, por coerência e em atenção à tradição lexicográfica, os prefixos re-, pre- e pro- à excepcionalidade do prefixo co-". Se para os prefixos pre- e pro- parece haver uma justificação, não pela alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, mas pela alínea f), o mesmo não acontece com o prefixo re-. Por outro lado, não se pode invocar a tradição lexicográfica quando se trata de um tópico sobre o qual o Acordo Ortográfico se pronuncia alterando justamente a tradição lexicográfica e as indicações prescritas pelo Acordo Ortográfico anterior.

Em Portugal, o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), cujo Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) foi recentemente adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, publicada em 25 de Janeiro de 2011 no Diário da República n.º 17, I Série, pág. 488, seguiu a mesma interpretação da ABL. A Priberam manteve a sua interpretação inicial de grafar re-e... até à data em que o VOP passou a ser indicado nesta resolução como uma obra lexicográfica de referência em Portugal, nomeadamente no ensino, a partir do ano lectivo de 2011/2012. Os recursos linguísticos da Priberam têm vindo a ser alterados desde 25 de Janeiro de 2011 para seguir a excepção instituída pelo VOLP da ABL e seguida pelo VOP do ILTEC, grafando o sufixo re- sem hífen quando seguido de elemento começado por e (ex.: reedição).

Sublinhe-se que esta é uma opção que decorre da publicação do VOLP e do VOP e não da aplicação da letra e do espírito do Acordo Ortográfico, cujo texto altera inúmeros outros casos de grafias tradicionalmente estáveis. Como exemplo de grafias em que o AO vai contra a tradição lexicográfica, pode referir-se o prefixo sobre-, que já em obras do século XVIII (como o Vocabulario Portuguez & Latino, de Raphael Bluteau [1728] ou o Diccionario da lingua portugueza, de Antonio de Moraes Silva [1789]) ou do início do século XX (como o Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo [1913]) era sempre grafado sem hífen quando o elemento seguinte se iniciava com a letra e. Em determinados pontos em que o AO é omisso ou não explicita regras gerais (como, por exemplo, no caso de connosco/conosco), a tradição do registo lexicográfico de certas palavras poderá ser um argumento invocável, uma vez que não há outra maneira de se saber ou inferir qual a ortografia a adoptar. Se a tradição lexicográfica pudesse ser invocada constantemente como argumento para a manutenção de determinadas grafias, os acordos ortográficos deixariam de fazer sentido, uma vez que o objectivo destes é precisamente a alteração ou simplificação de determinadas grafias e regras ortográficas (por vezes divergentes), preconizadas durante décadas por obras lexicográficas.




Gostaria de saber se o feminino de anjo é anja e se está certo.
Não entrando na questão do sexo dos anjos (serão ou não seres assexuados?), a palavra anjo é um substantivo sobrecomum, isto é, tem um só género gramatical (é masculina: o anjo era bonito) mas designa indivíduos de ambos os sexos, não apresentando por isso uma forma feminina *anja.

O mesmo se passa, aliás, com os substantivos femininos pessoa, testemunha ou vítima, por exemplo, que designam ambos os sexos, não existindo as formas masculinas *pessoo ou *vítimo e correspondendo testemunho a outro significado, que não o feminino de testemunha.

Nestes casos, quando se quer discriminar o sexo do indivíduo, usa-se uma expressão como a pessoa do sexo feminino, a testemuna masculina, a vítima do sexo masculino. O mesmo se poderá fazer no caso de anjo: o anjo do sexo feminino.

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Palavra do dia

xe·ra·fim xe·ra·fim
(persa axrafi ou xarafi, nobre)
substantivo masculino

[Numismática]   [Numismática]  Antiga moeda de prata da antiga Índia Portuguesa. = XARAFIM

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/quarto [consultado em 15-12-2018]