Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Pesquisa por "inferem" nas definições

arguir | v. tr. | v. intr.
    Imputar, acusar, censurar (repreendendo)....

coligir | v. tr.
    Reunir em colecção (o que anda disperso)....

concluir | v. tr., intr. e pron. | v. tr. | v. tr. e intr.
    Chegar ou fazer chegar ao fim (ex.: ainda não concluímos a tarefa; por favor, tem de concluir para passarmos a outro orador; não gostei da forma como o enredo se conclui)....

deduzir | v. tr.
    Fazer dedução; descontar....

depreender | v. tr.
    Vir (por observação ou raciocínio) ao conhecimento de....

induzir | v. tr.
    Aconselhar e levar (alguém) a um acto....

inferir | v. tr.
    Deduzir (raciocinando)....

silogizar | v. tr. | v. intr.
    Inferir ou deduzir pelo raciocínio....

tirar | v. tr. | v. intr. | v. pron.
    Fazer sair de um ponto ou lugar....

inferível | adj. 2 g.
    Que se pode inferir (ex.: informação inferível)....

dessumir | v. tr.
    Tirar conclusões sobre....

cânone | n. m. | n. m. pl.
    Princípio geral, de onde retiram ou inferem princípios mais específicos ou particulares (ex.: conhece os cânones clássicos)....

consequente | n. m. | adj. 2 g.
    Segunda proposição do entimema....

premissa | n. f.
    Cada uma das duas proposições de um silogismo (a maior e a menor), das quais se infere ou se tira a conclusão....

recolher | v. tr. | v. intr. | v. pron. | n. m.
    Colher para si....

ver | v. tr. | v. pron. | n. m.
    Exercer o sentido da vista sobre....

Dúvidas linguísticas


É correcta a frase As PME's enfrentam dificuldades? Existe plural de PALOP e de TIC?
A flexão das siglas e dos acrónimos coloca frequentemente dúvidas aos utilizadores da língua, assim como a flexão das abreviaturas e dos símbolos. Neste contexto, é útil esclarecer cada um destes termos, para poder obter uma resposta coerente às dúvidas sobre flexão em número.

Uma sigla é um conjunto formado pelas letras iniciais de várias palavras (ex.: PME = Pequena e Média Empresa), usado como uma única palavra pela soletração das letras que o compõem (ex.: P = [pe], M = [Èmi], E = [È]); como tal, pode também corresponder ao plural de uma ou mais dessas palavras, sem que as iniciais se alterem (ex.: EUA, por exemplo, é uma sigla que corresponde a um plural, Estados Unidos da América, sem que seja necessário uma marca dessa flexão). Por este motivo, não haverá razão lógica para acrescentar um esse (-s) às siglas referidas: deverá escrever-se os CD (os Compact Discs) ou as PME (as Pequenas e Médias Empresas).

Um acrónimo é um conjunto formado pelas letras iniciais de várias palavras (ex.: EPAL), usado como uma única palavra e pronunciado não pela soletração de cada uma das letras, como as siglas, mas de forma contínua, como um nome comum (ex.: EPAL lê-se [È'pal] e não [Èpea'Èli]). Assim, pelo mesmo motivo apontado para as siglas, deverá escrever-se os PALOP (os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) ou as TIC (as Tecnologias de Informação e Comunicação). Ainda em relação aos acrónimos, deve dizer-se que estes se transformam por vezes em nomes comuns (ex.: sida < Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, cedê < CD < Compact Disc), obedecendo às regras gerais de ortografia e assumindo então as regras gerais de flexão (ex.: A sida em África é diferente das outras sidas?; Comprou vários cedês.).

Uma abreviatura corresponde a uma letra ou a um conjunto de letras que faz parte de uma palavra e a representa na escrita (ex.: Dr. < Doutor), mas que não tem em geral um correspondente fonético (a abreviatura Dr. ler-se-á doutor e não como [dri] ou com soletração das letras [de'ÈRi]), sendo que muitas vezes estas abreviaturas admitem as marcas de flexão, entendendo-se que constituem abreviaturas de palavras diferentes (ex.: Dr.ª, Dr.as).

Um símbolo corresponde a uma letra ou a um conjunto de letras que estabelece, geralmente por convenção, uma relação de correspondência com uma unidade de medida (km = quilómetro(s); V = volt(s); Y = ítrio) ou um conceito (cos = cosseno, SO = sudoeste), não havendo geralmente um correspondente fonético (ex.: V ler-se-á volt), nem marcação de flexão (ex.: corrente de 220V ler-se-á volts), pois trata-se muitas vezes de símbolos estabelecidos internacionalmente ou com um valor bastante difundido, nomeadamente em áreas científicas, e têm de ser únicos e unívocos.

No caso das siglas, acrónimos e abreviaturas, é muito usual o uso das marcas de flexão em alguns casos, nomeadamente com adjunção de -s no final (ex.: PMEs). Tal uso, não sendo proscrito pelas regras de ortografia portuguesa (o acordo ortográfico em vigor é omisso nesse aspecto), carece de motivo lógico, como acima foi defendido e obrigaria, por exemplo, no caso de se considerar que se trata de uma aplicação das regras gerais de flexão, a adaptações ortográficas no caso de siglas ou acrónimos terminados em consoantes (ex.: PALOPes).

O apóstrofo ou a plica antecedendo o -s (ex.: *PME’s) não deverá ser usado, pois não é um mecanismo de flexão da língua portuguesa.




Tendo em conta as duas grafias do nome do escritor Eça de Queiroz/Queirós, e sendo certo que a original é a primeira, com z e sem acento, o adjectivo queiroziano, assim grafado, poder-se-ia considerar incorrecto? Não vejo porquê, apesar de só se encontrar, em vários dicionários, queirosiano como derivado de uma actualização (indevida porque desnecessária) do supracitado escritor...
A ortografia do português, como a ortografia de qualquer língua, é um conjunto de regras convencionadas e artificiais que procuram reflectir o sistema fonológico e morfológico da língua, em muitos casos com invocação de motivos etimológicos, desconhecidos da maioria dos utilizadores da língua. A ortografia portuguesa só começou a ter alguma estabilidade a partir do final do séc. XIX, com o início das reformas ortográficas. A instabilidade anterior a esta altura poderá facilmente ser verificada em textos antigos, em dicionários etimológicos ou em dicionários com formas históricas, como o Dicionário Houaiss (edição brasileira da Editora Objetiva, 2001; edição portuguesa do Círculo de Leitores, 2002). Por este motivo, é possível encontrar casos, até no séc. XX, de grafias que nos parecerão muito estranhas, atendendo à ortografia actual, fixada sobretudo a partir da década de 40 do séc. XX, com o Acordo Ortográfico de 1945, para o português europeu e com o Formulário Ortográfico de 1943, para o português do Brasil.

O caso do antropónimo Queiroz/Queirós é um exemplo de tentativa de uniformização ortográfica através da base V do Acordo Ortográfico de 1945, onde se pode ler: “Dada a homofonia existente entre certas consoantes, torna-se necessário diferençar os seus empregos gráficos, que fundamentalmente se regulam pela etimologia e pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita as consoantes homófonas nem sempre permite fácil diferenciação de todos os casos em que se deve empregar uma consoante e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, do mesmo som; mas é indispensável, apesar disso, ter presente a noção teórica dos vários tipos de consoantes homófonas e fixar praticamente, até onde for possível, os seus usos gráficos, que nos casos especiais ou dificultosos a prática do Idioma e a consulta do vocabulário ou do dicionário irão ensinando. [...] 5.° Distinção entre s final de palavra e x e z idênticos: aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português, Queirós, quis, retrós, resvés, revés, Tomás, Valdês [...].”

Este antropónimo tem origem, segundo o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado (Lisboa, Livros Horizonte, 2003), no topónimo Queirós (nas regiões de Barcelos, Lisboa, Seia e Torres Novas), que por sua vez derivará do substantivo comum queiró. A forma Queirós, além de referida no texto do Acordo Ortográfico, está também atestada em várias obras de referência para a língua portuguesa da norma europeia, nomeadamente no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo GONÇALVES (Coimbra, Coimbra Editora, 1966) e no Grande Vocabulário da Língua Portuguesa de José Pedro MACHADO (Lisboa, Âncora Editora, 2001), sendo que nenhuma delas atesta a forma Queiroz.

Refira-se adicionalmente que o intervalo de vida de Eça de Queirós (1845-1900) é anterior aos principais movimentos reformistas da ortografia, que procuraram e procuram maior uniformidade na aplicação de regras (a este respeito, é muito interessante a consulta de A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo CASTRO, Inês DUARTE e Isabel LEIRIA [Lisboa: Ed. João Sá da Costa, 1987]).

Neste caso, e em muitos outros de antropónimos registados antes do acordo de 1945, é possível o uso de ortografias divergentes daquelas preconizadas pelo acordo, pois este prevê, na sua base L, que se possa conservar a “grafia de nomes próprios adoptada pelos seus possuidores nas respectivas assinaturas”, assim como de “firmas comerciais, sociedades, marcas e títulos”. Se isto se pode aplicar a Queiroz e a outros nomes próprios, não poderá, porém, aplicar-se aos seus derivados, que deverão respeitar as regras da ortografia em vigor. Por este motivo, as formas aconselhadas dos derivados deverão grafar-se com s (ex. queirosiano, queirosianismo, queirosianista), tal como poderá constatar em dicionários de língua portuguesa.

O Acordo Ortográfico de 1990 não altera nada a este respeito.

Palavra do dia

or·ni·to·fi·li·a or·ni·to·fi·li·a


(ornito- + -filia)
nome feminino

1. Interesse, geralmente amador, pela observação e pelo estudo das aves.

2. [Botânica]   [Botânica]  Polinização das flores feita por aves.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/Pesquisar/inferem [consultado em 15-05-2021]