Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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lemalema | s. f.
lemalema | s. m.
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le·ma |ê| le·ma |ê| 2
(grego lémma, atos, pele, casca)
substantivo feminino

[Botânica]   [Botânica]  Glumela inferior que protege a flor das gramíneas.


le·ma |ê| le·ma |ê| 1
(latim lemma, -atis, assunto, tema, do grego lêmma, atos, o que é recebido, ganho, lucro)
substantivo masculino

1. [Matemática]   [Matemática]  Proposição preliminar que deve facilitar a demonstração de um teorema.

2. [Figurado]   [Figurado]  Regra de procedimento, escrita; divisa.

3. Sentença.

4. Emblema.

5. [Entomologia]   [Entomologia]  Género de insectos coleópteros fitófagos.

6. [Linguística]   [Lingüística]   [Linguística]  Forma gráfica de uma palavra que é usada como entrada de verbete em dicionários ou vocabulários (por exemplo, o lema da forma verbal terá é ter, o lema do adjectivo é mau, o lema do substantivo juízes é juiz).


Ver também dúvida linguística: procurar palavras num dicionário.
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Dúvidas linguísticas


Sou usuária assídua desse Dicionário. Por isso, lanço-lhes uma questão, a respeito do gênero da palavra "vernissage". Aprendi há muito tempo, pelo Dicionário Aurélio, que a palavra é substantivo masculino Recentemente, consultando o Priberam, vi que consta como substantivo feminino. E agora??? Sei que trata-se de uma palavra de origem francesa, e nessa língua é uma palavra masculina. Gostaria de confirmar o gênero correto.
De facto, na língua francesa, a palavra vernissage é masculina (ex.: invitation à un vernissage = convite para um vernissage). No entanto, e talvez porque ainda esteja em fase de adaptação à língua portuguesa, o uso desse termo em português oscila entre o género masculino (uso mais erudito) e o género feminino (uso mais generalizado). A maior tendência para o uso do feminino neste caso, ou nos casos de bricolage, décalage, entourage ou ménage, por exemplo, deve-se talvez ao facto de a generalidade dos galicismos terminados em -age, mas entretanto aportuguesados para -agem, serem do género feminino (ex.: garagem, massagem, passagem, etc.). A influência da terminação -agem, sufixo que em português forma palavras do género feminino, é natural neste caso, como se pode verificar pela ocorrência da forma vernissagem, já atestada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.

Graças à sua mensagem, alterámos a classificação da palavra vernissage no Dicionário Priberam para substantivo masculino ou feminino para reflectir a oscilação de uso dessa palavra na língua portuguesa.




Venho por este meio colocar-vos uma dúvida em relação à utilização (ou não) do hífen em palavras com o prefixo re- seguidas de e* segundo o novo Acordo Ortográfico (ex.: reedição/reeleger ou re-edição/re-eleger?). Já vi opções diferentes e gostava de saber qual delas está a seguir o Acordo.
Segundo o disposto na Base XVI, 1.º, alínea b) do Acordo Ortográfico de 1990, utiliza-se o hífen “nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento” (ex.: sobre-endividamento, micro-ondas). O texto do Acordo Ortográfico é inequívoco relativamente ao uso de hífen com um prefixo que termina na mesma vogal com que se inicia o elemento seguinte, pelo que esta regra deveria ser também aplicada ao prefixo re-. As regras para o uso do hífen nos casos de prefixação passam, com o Acordo de 1990, a ser gerais e contextuais, ao contrário do Acordo de 1945, que aplicava regras específicas a um prefixo ou a um grupo fechado de prefixos. Para este ponto, o texto legal estabelece uma única excepção, na nota à alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, referindo-se apenas ao prefixo co-, que deverá ser usado sempre sem hífen.

Foi este o entendimento inicial da Priberam, uma vez que outra interpretação contraria claramente a letra e o espírito do Acordo Ortográfico, estabelecendo uma excepção não prevista. A Priberam entende que seria ilógico tomar a excepção prevista para co- como modelo para re-, uma vez que as excepções devem estar explícitas e não se podem deduzir. Também a "Nota Explicativa" (ponto 6.3) reitera o que é referido na base XVI, 1.º, alínea b): "uniformiza-se o não emprego do hífen, do modo seguinte: (...) Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen". Como este não é o caso nas sequências re-e..., o hífen deveria ser usado neste contexto.

Apesar disto, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras (ABL), no seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009), entendeu que deveria instituir uma excepção para o prefixo re-. A única justificação apresentada pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL na "Nota explicativa" (pp. LI a LIII) do referido Vocabulário é que uma das medidas tomadas foi "incluir, por coerência e em atenção à tradição lexicográfica, os prefixos re-, pre- e pro- à excepcionalidade do prefixo co-". Se para os prefixos pre- e pro- parece haver uma justificação, não pela alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, mas pela alínea f), o mesmo não acontece com o prefixo re-. Por outro lado, não se pode invocar a tradição lexicográfica quando se trata de um tópico sobre o qual o Acordo Ortográfico se pronuncia alterando justamente a tradição lexicográfica e as indicações prescritas pelo Acordo Ortográfico anterior.

Em Portugal, o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), cujo Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) foi recentemente adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, publicada em 25 de Janeiro de 2011 no Diário da República n.º 17, I Série, pág. 488, seguiu a mesma interpretação da ABL. A Priberam manteve a sua interpretação inicial de grafar re-e... até à data em que o VOP passou a ser indicado nesta resolução como uma obra lexicográfica de referência em Portugal, nomeadamente no ensino, a partir do ano lectivo de 2011/2012. Os recursos linguísticos da Priberam têm vindo a ser alterados desde 25 de Janeiro de 2011 para seguir a excepção instituída pelo VOLP da ABL e seguida pelo VOP do ILTEC, grafando o sufixo re- sem hífen quando seguido de elemento começado por e (ex.: reedição).

Sublinhe-se que esta é uma opção que decorre da publicação do VOLP e do VOP e não da aplicação da letra e do espírito do Acordo Ortográfico, cujo texto altera inúmeros outros casos de grafias tradicionalmente estáveis. Como exemplo de grafias em que o AO vai contra a tradição lexicográfica, pode referir-se o prefixo sobre-, que já em obras do século XVIII (como o Vocabulario Portuguez & Latino, de Raphael Bluteau [1728] ou o Diccionario da lingua portugueza, de Antonio de Moraes Silva [1789]) ou do início do século XX (como o Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo [1913]) era sempre grafado sem hífen quando o elemento seguinte se iniciava com a letra e. Em determinados pontos em que o AO é omisso ou não explicita regras gerais (como, por exemplo, no caso de connosco/conosco), a tradição do registo lexicográfico de certas palavras poderá ser um argumento invocável, uma vez que não há outra maneira de se saber ou inferir qual a ortografia a adoptar. Se a tradição lexicográfica pudesse ser invocada constantemente como argumento para a manutenção de determinadas grafias, os acordos ortográficos deixariam de fazer sentido, uma vez que o objectivo destes é precisamente a alteração ou simplificação de determinadas grafias e regras ortográficas (por vezes divergentes), preconizadas durante décadas por obras lexicográficas.

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Palavra do dia

re·ó·fi·lo re·ó·fi·lo
(grego rhéô, -eîn, correr, deslizar, cair + -filo)
adjectivo e substantivo masculino
adjetivo e substantivo masculino

[Ecologia]   [Ecologia]  Que ou o que vive em águas com correntes (ex.: organismo adaptado ao ambiente reófilo; espécies reófilas).

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/lema [consultado em 22-03-2019]