Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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infinidadeinfinidade | s. f.
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in·fi·ni·da·de in·fi·ni·da·de
(latim infinitas, -atis)
substantivo feminino

1. Qualidade do que é infinito.

2. Grande abundância, grande número.

Confrontar: infimidade.
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Dúvidas linguísticas


Qual é o género da palavra própolis? Tanto quanto sei, é apenas substantivo feminino, apesar de haver quem use a palavra como sendo masculina mas, quanto a mim, de forma errada.
A classificação da palavra própolis (o própolis ou a própolis) não é consensual nas principais obras lexicográficas portuguesas.

Com efeito, no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (10.ª ed., Lisboa: Editorial Confluência, 12 vol., 1949-1959), de António de Morais Silva, própolis é classificada apenas como substantivo masculino. A mesma opção é seguida por José Pedro Machado no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (12 vol., Porto: Amigos do Livro Editores, 1981) mas, no Grande Vocabulário da Língua Portuguesa (Lisboa: Âncora Editora, 2001), do mesmo autor, já se encontra própolis com indicação: “s. m. e s. f.”. Não se pense porém que a indicação dos dois géneros é recente, pois o Dicionário de Língua Portuguesa (10.ª ed., 2 vol., Lisboa: Livraria Bertrand, 1949), de Cândido de Figueiredo, já registava essa opção. Na tradição lexicográfica brasileira a questão não é problemática, já que tanto própolis como própole são considerados substantivos femininos ou substantivos masculinos.

Pesquisas em corpora e em motores de busca da Internet revelam que o emprego de própolis como substantivo feminino é mais frequente mas que também existem ocorrências muito significativas de própolis como substantivo masculino. A flutuação de género que se verifica no uso real da língua e na própria dicionarização da palavra justifica a classificação de própolis como substantivo feminino ou masculino de dois números.




Venho por este meio colocar-vos uma dúvida em relação à utilização (ou não) do hífen em palavras com o prefixo re- seguidas de e* segundo o novo Acordo Ortográfico (ex.: reedição/reeleger ou re-edição/re-eleger?). Já vi opções diferentes e gostava de saber qual delas está a seguir o Acordo.
Segundo o disposto na Base XVI, 1.º, alínea b) do Acordo Ortográfico de 1990, utiliza-se o hífen “nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento” (ex.: sobre-endividamento, micro-ondas). O texto do Acordo Ortográfico é inequívoco relativamente ao uso de hífen com um prefixo que termina na mesma vogal com que se inicia o elemento seguinte, pelo que esta regra deveria ser também aplicada ao prefixo re-. As regras para o uso do hífen nos casos de prefixação passam, com o Acordo de 1990, a ser gerais e contextuais, ao contrário do Acordo de 1945, que aplicava regras específicas a um prefixo ou a um grupo fechado de prefixos. Para este ponto, o texto legal estabelece uma única excepção, na nota à alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, referindo-se apenas ao prefixo co-, que deverá ser usado sempre sem hífen.

Foi este o entendimento inicial da Priberam, uma vez que outra interpretação contraria claramente a letra e o espírito do Acordo Ortográfico, estabelecendo uma excepção não prevista. A Priberam entende que seria ilógico tomar a excepção prevista para co- como modelo para re-, uma vez que as excepções devem estar explícitas e não se podem deduzir. Também a "Nota Explicativa" (ponto 6.3) reitera o que é referido na base XVI, 1.º, alínea b): "uniformiza-se o não emprego do hífen, do modo seguinte: (...) Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen". Como este não é o caso nas sequências re-e..., o hífen deveria ser usado neste contexto.

Apesar disto, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras (ABL), no seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009), entendeu que deveria instituir uma excepção para o prefixo re-. A única justificação apresentada pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL na "Nota explicativa" (pp. LI a LIII) do referido Vocabulário é que uma das medidas tomadas foi "incluir, por coerência e em atenção à tradição lexicográfica, os prefixos re-, pre- e pro- à excepcionalidade do prefixo co-". Se para os prefixos pre- e pro- parece haver uma justificação, não pela alínea b) do ponto 1.º da Base XVI, mas pela alínea f), o mesmo não acontece com o prefixo re-. Por outro lado, não se pode invocar a tradição lexicográfica quando se trata de um tópico sobre o qual o Acordo Ortográfico se pronuncia alterando justamente a tradição lexicográfica e as indicações prescritas pelo Acordo Ortográfico anterior.

Em Portugal, o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), cujo Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) foi recentemente adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, publicada em 25 de Janeiro de 2011 no Diário da República n.º 17, I Série, pág. 488, seguiu a mesma interpretação da ABL. A Priberam manteve a sua interpretação inicial de grafar re-e... até à data em que o VOP passou a ser indicado nesta resolução como uma obra lexicográfica de referência em Portugal, nomeadamente no ensino, a partir do ano lectivo de 2011/2012. Os recursos linguísticos da Priberam têm vindo a ser alterados desde 25 de Janeiro de 2011 para seguir a excepção instituída pelo VOLP da ABL e seguida pelo VOP do ILTEC, grafando o sufixo re- sem hífen quando seguido de elemento começado por e (ex.: reedição).

Sublinhe-se que esta é uma opção que decorre da publicação do VOLP e do VOP e não da aplicação da letra e do espírito do Acordo Ortográfico, cujo texto altera inúmeros outros casos de grafias tradicionalmente estáveis. Como exemplo de grafias em que o AO vai contra a tradição lexicográfica, pode referir-se o prefixo sobre-, que já em obras do século XVIII (como o Vocabulario Portuguez & Latino, de Raphael Bluteau [1728] ou o Diccionario da lingua portugueza, de Antonio de Moraes Silva [1789]) ou do início do século XX (como o Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo [1913]) era sempre grafado sem hífen quando o elemento seguinte se iniciava com a letra e. Em determinados pontos em que o AO é omisso ou não explicita regras gerais (como, por exemplo, no caso de connosco/conosco), a tradição do registo lexicográfico de certas palavras poderá ser um argumento invocável, uma vez que não há outra maneira de se saber ou inferir qual a ortografia a adoptar. Se a tradição lexicográfica pudesse ser invocada constantemente como argumento para a manutenção de determinadas grafias, os acordos ortográficos deixariam de fazer sentido, uma vez que o objectivo destes é precisamente a alteração ou simplificação de determinadas grafias e regras ortográficas (por vezes divergentes), preconizadas durante décadas por obras lexicográficas.

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Palavra do dia

cri·ou·lo cri·ou·lo
(criar + -olo)
substantivo masculino

1. Descendente de europeus nascido na América.

2. Negro nascido no Brasil.

3. [Brasil]   [Brasil]  Pessoa, animal ou vegetal, próprio de certas localidades.

4. [Linguística]   [Lingüística]   [Linguística]  Língua, originada pelo contacto intenso de uma língua europeia com as línguas, nativas ou não, faladas numa região, que combina e transforma traços dessas línguas e que se tornou língua materna de uma comunidade (ex.: crioulo de base lexical portuguesa; crioulo de base francesa).

5. [Linguística]   [Lingüística]   [Linguística]  Língua de base lexical portuguesa, falada em Cabo Verde, que engloba diferentes variedades.

adjectivo
adjetivo

6. [Linguística]   [Lingüística]   [Linguística]  Que é relativo a um crioulo.

7. [Linguística]   [Lingüística]   [Linguística]  Que é relativo ao crioulo de Cabo Verde.

8. [Brasil]   [Brasil]  Nascido em certa localidade. = ABORÍGENE, AUTÓCTONE

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/infinidade [consultado em 21-02-2019]