Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Numeração ordinal: numa série de dois mil e trezentos blocos, que lugar ocupa o último bloco? Será o dumilésimo tricentésimo lugar?
A numeração ordinal a partir de 2000 utiliza frequentemente numerais cardinais para quantificar os milésimos (2000º = dois milésimo, 3000ª = três milésima, 11000º = onze milésimo). Adicionalmente, é também possível, como afirma Evanildo BECHARA em Moderna Gramática Portuguesa (Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, pp. 206-209), formar estes numerais utilizando ordinais para quantificar os milésimos, se se tratar de um número "redondo", isto é, sem outro algarismo além do zero nas unidades, dezenas e centenas (2000º = segundo milésimo, 3000ª = terceira milésima, 11000º = décimo primeiro milésimo).

Não obstante, o Dicionário Houaiss regista alguns numerais ordinais sintéticos relativos a números acima de 1999, utilizando cultismos formados a partir de prefixos latinos: 2000º = bismilésimo, 3000º = termilésimo, 4000º = quatermilésimo, 5000º = quinquiesmilésimo, 6000º = sexiesmilésimo, 7000º = septiesmilésimo, 8000º = octiesmilésimo, 9000º = noviesmilésimo, 10000º = deciesmilésimo. Para todos estes numerais, o dicionário observa que são usualmente substituídos pela locução com o numeral cardinal seguido de milésimo (segundo milésimo, terceiro milésimo, quarto milésimo, quinto milésimo, sexto milésimo, sétimo milésimo, oitavo milésimo, nono milésimo, décimo milésimo).

As indicações acima são válidas também para os ordinais correspondentes a milhões (2000000º = dois milionésimo ou segundo milionésimo, 3000000ª = três milionésima ou terceira milionésima, 11000000º = onze milionésimo ou décimo primeiro milionésimo).

Especificamente sobre o numeral ordinal correspondente ao número 2300 poderá então ser uma de quatro hipóteses (uma vez que o numeral ordinal correspondente a 300 pode, por sua vez, corresponder a tricentésimo ou a trecentésimo): dois milésimo tricentésimo, dois milésimo trecentésimo, bismilésimo tricentésimo ou bismilésimo trecentésimo.
A palavra dumilésimo não se encontra registada em nenhum dicionário consultado, e resulta de uma analogia com ducentésimo, o ordinal correspondente à posição 200, que deriva do latim ducenti "duzentos".




Tenho dúvida em diferenciar "Termo da Oração" e "Função Sintática". Numa mesma página dum livro de Gramática, vi três definições de Sujeito: 1) Sujeito É o TERMO DA ORAÇÃO que concorda em número e pessoa com o verbo; 2) Sujeito é, portanto, o NOME de uma FUNÇÃO SINTÁTICA (...); 3) Sob a ótica da Morfossintaxe, Sujeito é NOME de uma função substantiva (...). Entendo que "termo" seja sinônimo de "vocábulo", logo Termo da Oração deveria ser um "pedaço" da oração composto por uma ou mais palavras, vocábulos. E a Função Sintática deveria ser o papel exercido por essa(s) palavra(s) ("termo da oração") na frase. Exemplificando: "A Gramática é confusa." Penso que morfologicamente, "A" é um artigo, "Gramática", um substantivo e o termo desta oração "A Gramática" possui um papel na frase, isto é, uma Função Sintática a qual denomino Sujeito (por "A Gramática" concordar em número e pessoa com o verbo). Pareço estar totalmente de acordo com a definição 2 e parcialmente com a definição 1. Logo, a definição 1 estaria errada, pois estaríamos chamando de Sujeito um conjunto de PALAVRAS e não a função (sintática) que essas palavras exercem, o que acho estranho, pois é de se esperar que não haja um erro como esse num livro de língua portuguesa. A definição 3 parece a mim mais compreensível, no entanto não compreendo o que é a Morfossintaxe. Enfim, gostaria do CONCEITO de "Termo da Oração", de "Função Sintática" - uma vez que não encontro em livros - e de "Morfossinxtaxe, e de que me corrigissem em algo que tenha errado.
Sendo difícil perceber a totalidade da definição de sujeito a partir do texto que nos transcreveu, é possível, no entanto, dizer que as três sequências de texto apresentadas não são três definições, mas antes três partes da mesma definição, pois parecem completar-se para dar a noção do que é o sujeito de uma frase.

Assim, o sujeito é de facto um dos termos principais de uma oração (devendo entender-se termo como um elemento constituinte) e é a parte da oração com que o verbo concorda (ex.: A gramática é confusa; As gramáticas são confusas), mesmo quando há inversão da ordem canónica da frase (ex.: Confusa é a gramática; Confusas são as gramáticas). Por este motivo, o sujeito desempenha uma função sintáctica importante na frase (devendo entender-se função sintáctica como uma relação gramatical entre os diferentes sintagmas de uma frase), estabelecendo ligações com os outros constituintes frásicos, nomeadamente relações de concordância, mesmo quando não está explícito na frase (ex.: [eu] Fico atento quando [eu] penso que isso é verdade). O sujeito pode ser constituído por apenas uma palavra (ex.: Maria tem grandes encantos; ela é um doce), por um grupo nominal mais ou menos complexo (ex.: A Maria tem grandes encantos; O irmão da Maria é o João; O pai e a mãe do João e da Maria saíram), ou por uma frase (ex.: Quem comete uma infracção está sujeito às consequências; O facto de ele se ter enganado surpreende-me), mas em qualquer um dos casos trata-se de um grupo nominal (ou de uma função substantiva, como é referido na questão, isto é, de uma função desempenhada por um substantivo ou por um conjunto de palavras com valor de substantivo), sendo que qualquer um dos sintagmas acima pode ser pronominalizado por um pronome pessoal sujeito (ex.: Ela tem grandes encantos; Ele é o João; Eles saíram; Ele está sujeito às consequências) ou por um pronome demonstrativo invariável, no caso de frase completiva (ex.: Isso surpreende-me).

Podemos ainda acrescentar que a morfossintaxe é uma parte da gramática ou da descrição linguística que estuda combinadamente a morfologia e a sintaxe (cujas definições poderá encontrar seguindo as hiperligações para o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

Palavra do dia

po·da·gra po·da·gra


(latim podagra, -ae)
nome feminino

[Medicina]   [Medicina]  Doença articular decorrente do excesso de ácido úrico, que provoca inflamação dolorosa, em especial nos pés e é geralmente acompanhada de inchaço; gota nos pés.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/zeitgerecht [consultado em 17-09-2021]