Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Uma professora minha disse que nunca se podia colocar uma vírgula entre o sujeito e o verbo. É verdade?
Sobre o uso da vírgula em geral, por favor consulte a dúvida vírgula antes da conjunção e. Especificamente sobre a questão colocada, de facto, a indicação de que não se pode colocar uma vírgula entre o sujeito e o verbo é verdadeira. O uso da vírgula, como o da pontuação em geral, é complexo, pois está intimamente ligado à decomposição sintáctica, lógica e discursiva das frases. Do ponto de vista lógico e sintáctico, não há qualquer motivo para separar o sujeito do seu predicado (ex.: *o rapaz [SUJEITO], comeu [PREDICADO]; *as pessoas que estiveram na exposição [SUJEITO], gostaram muito [PREDICADO]; o asterisco indica agramaticalidade). Da mesma forma, o verbo não deverá ser separado dos complementos obrigatórios que selecciona (ex.: *a casa é [Verbo], bonita [PREDICATIVO DO SUJEITO]; *o rapaz comeu [Verbo], bolachas e biscoitos [COMPLEMENTO DIRECTO]; *as pessoas gostaram [Verbo], da exposição [COMPLEMENTO INDIRECTO]; *as crianças ficaram [Verbo], no parque [COMPLEMENTO ADVERBIAL OBRIGATÓRIO]). Pela mesma lógica, o mesmo se aplica aos complementos seleccionados por substantivos (ex. * foi a casa, dos avós), por adjectivos (ex.: *estava impaciente, por sair) ou por advérbios (*lava as mãos antes, das refeições), que não deverão ser separados por vírgula da palavra que os selecciona.

Há, no entanto, alguns contextos em que pode haver entre o sujeito e o verbo uma estrutura sintáctica separada por vírgulas, mas apenas no caso de essa estrutura poder ser isolada por uma vírgula no início e no fim. Estes são normalmente os casos de adjuntos nominais (ex.: o rapaz, menino muito magro, comeu muito), adjuntos adverbiais (ex.: o rapaz, como habitualmente, comeu muito), orações subordinadas adverbiais (ex.: as pessoas que estiveram na exposição, apesar das más condições, gostaram muito), orações subordinadas relativas explicativas (ex.: o rapaz, que até não tinha fome, comeu muito).




Como se deve fazer o plural de dois grupos nominais em que o nome é o mesmo? Por exemplo, dois adjetivos de um nome que se repete. Como exemplo, há esta frase que tenho lido nos jornais: "a 8ª e 9ª avaliações da troika" ou " as 8ª e 9ª avaliações da troika". E, já agora, qual das seguintes formas é a correta: " a 8ª e a 9ª avaliação" ou "a 8ª e a 9ª avaliações"?
Nos casos apresentados, a concordância poderá ser feita no singular ou no plural, sem haver, em nenhum dos casos, qualquer incorrecção. Mais especificamente, a coordenação dos elementos que refere pode gerar as seguintes concordâncias nominais:

i) a 8.ª e a 9.ª avaliação da troika.
Neste caso, está subentendido o substantivo avaliação no primeiro termo da coordenação: a 8.ª [avaliação] e a 9.ª avaliação da troika.

ii) a 8.ª e a 9.ª avaliações da troika.
Neste caso, a coordenação dos numerais ordinais (a 8.ª e a 9.ª) concorda com o substantivo plural avaliações.

iii) a 8.ª e 9.ª avaliações da troika.
Este caso é semelhante ao anterior, apenas está subentendido o artigo definido a antes do segundo termo da coordenação: a 8.ª e [a] 9.ª avaliações da troika.

iv) as 8.ª e 9.ª avaliações da troika.
Neste caso, a coordenação dos numerais ordinais (8.ª e 9.ª) concorda com o artigo definido plural as e com o substantivo plural avaliações.

As hipóteses acima são também as referidas por Evanildo Bechara na sua Moderna Gramática Brasileira (Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002, p. 546).

Palavra do dia

o·ca·ra |ò| o·ca·ra |ò|
(tupi o'kara)
nome feminino

[Brasil]   [Brasil]  Praça de uma aldeia indígena.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/to%20moor [consultado em 09-08-2020]