Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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queirosianista

queirosianistaqueirosianista | adj. 2 g. n. 2 g. | adj. 2 g.
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quei·ro·si·a·nis·ta quei·ro·si·a·nis·ta


(queirosiano + -ista)
adjectivo de dois géneros e nome de dois géneros
adjetivo de dois géneros e nome de dois géneros

1. Que ou quem se dedica ao estudo e à investigação da obra de Eça de Queirós (1845-1900).

adjectivo de dois géneros
adjetivo de dois géneros

2. Relativo ao queirosianismo.

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Dúvidas linguísticas


Gostaria de saber se consideram a frase seguinte gramaticalmente correcta: "Quando vierem novamente cá a casa, mostrar-vos-ei a minha estufa de plantas exóticas".
Na frase Quando vierem novamente cá a casa, mostrar-vos-ei a minha estufa de plantas exóticas, o pronome oblíquo vos corresponde à 2.ª pessoa do plural, desempenhando a função de complemento indirecto (= a vós), mas o sujeito da forma verbal vierem corresponde à 3.ª pessoa (vocês ou eles). .

Como é referido na resposta você, este pronome de tratamento designa a pessoa a quem se fala (tu/vós), mas, sendo um pronome de 3.ª pessoa, obriga o verbo à concordância com essa pessoa gramatical (daí dizer-se quando vocês vierem e não *quando vocês [= vós] vierdes). Como a ideia de forma de tratamento de 2.ª pessoa está muito presente nos falantes, a tendência é usar o pronome oblíquo vos correspondente à 2.ª pessoa (vós) e não o pronome lhes, correspondente à 3.ª pessoa (vocês/eles). Esta tendência gera construções condenadas por alguns gramáticos, como Paul Teyssier no Manual de Língua Portuguesa (Portugal-Brasil) [pp. 128-132].

Assim sendo, as hipóteses correctas seriam Quando [vocês] vierem novamente cá a casa, mostrar-lhes-ei a minha estufa de plantas exóticas ou Quando [vós] vierdes novamente cá a casa, mostrar-vos-ei a minha estufa de plantas exóticas. O Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, pelo contrário, considera que o pronome vos pode ser usado no tratamento por vocês. O Dicionário Priberam também regista este uso do pronome, mas indica que é muitas vezes desaconselhado. A este respeito, veja-se ainda a resposta vi-os / vi-vos.

O que foi dito acima refere-se à interpretação preferencial, que não invalida uma interpretação menos provável: Quando [eles] vierem novamente cá a casa, mostrar-vos-ei [a vós] a minha estufa de plantas exóticas. Ainda que residual ou dialectal, o uso do pronome vós é possível, como é referido na resposta vós e vocês.




Tendo em conta as duas grafias do nome do escritor Eça de Queiroz/Queirós, e sendo certo que a original é a primeira, com z e sem acento, o adjectivo queiroziano, assim grafado, poder-se-ia considerar incorrecto? Não vejo porquê, apesar de só se encontrar, em vários dicionários, queirosiano como derivado de uma actualização (indevida porque desnecessária) do supracitado escritor...
A ortografia do português, como a ortografia de qualquer língua, é um conjunto de regras convencionadas e artificiais que procuram reflectir o sistema fonológico e morfológico da língua, em muitos casos com invocação de motivos etimológicos, desconhecidos da maioria dos utilizadores da língua. A ortografia portuguesa só começou a ter alguma estabilidade a partir do final do séc. XIX, com o início das reformas ortográficas. A instabilidade anterior a esta altura poderá facilmente ser verificada em textos antigos, em dicionários etimológicos ou em dicionários com formas históricas, como o Dicionário Houaiss (edição brasileira da Editora Objetiva, 2001; edição portuguesa do Círculo de Leitores, 2002). Por este motivo, é possível encontrar casos, até no séc. XX, de grafias que nos parecerão muito estranhas, atendendo à ortografia actual, fixada sobretudo a partir da década de 40 do séc. XX, com o Acordo Ortográfico de 1945, para o português europeu e com o Formulário Ortográfico de 1943, para o português do Brasil.

O caso do antropónimo Queiroz/Queirós é um exemplo de tentativa de uniformização ortográfica através da base V do Acordo Ortográfico de 1945, onde se pode ler: “Dada a homofonia existente entre certas consoantes, torna-se necessário diferençar os seus empregos gráficos, que fundamentalmente se regulam pela etimologia e pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita as consoantes homófonas nem sempre permite fácil diferenciação de todos os casos em que se deve empregar uma consoante e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, do mesmo som; mas é indispensável, apesar disso, ter presente a noção teórica dos vários tipos de consoantes homófonas e fixar praticamente, até onde for possível, os seus usos gráficos, que nos casos especiais ou dificultosos a prática do Idioma e a consulta do vocabulário ou do dicionário irão ensinando. [...] 5.° Distinção entre s final de palavra e x e z idênticos: aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português, Queirós, quis, retrós, resvés, revés, Tomás, Valdês [...].”

Este antropónimo tem origem, segundo o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado (Lisboa, Livros Horizonte, 2003), no topónimo Queirós (nas regiões de Barcelos, Lisboa, Seia e Torres Novas), que por sua vez derivará do substantivo comum queiró. A forma Queirós, além de referida no texto do Acordo Ortográfico, está também atestada em várias obras de referência para a língua portuguesa da norma europeia, nomeadamente no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo GONÇALVES (Coimbra, Coimbra Editora, 1966) e no Grande Vocabulário da Língua Portuguesa de José Pedro MACHADO (Lisboa, Âncora Editora, 2001), sendo que nenhuma delas atesta a forma Queiroz.

Refira-se adicionalmente que o intervalo de vida de Eça de Queirós (1845-1900) é anterior aos principais movimentos reformistas da ortografia, que procuraram e procuram maior uniformidade na aplicação de regras (a este respeito, é muito interessante a consulta de A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo CASTRO, Inês DUARTE e Isabel LEIRIA [Lisboa: Ed. João Sá da Costa, 1987]).

Neste caso, e em muitos outros de antropónimos registados antes do acordo de 1945, é possível o uso de ortografias divergentes daquelas preconizadas pelo acordo, pois este prevê, na sua base L, que se possa conservar a “grafia de nomes próprios adoptada pelos seus possuidores nas respectivas assinaturas”, assim como de “firmas comerciais, sociedades, marcas e títulos”. Se isto se pode aplicar a Queiroz e a outros nomes próprios, não poderá, porém, aplicar-se aos seus derivados, que deverão respeitar as regras da ortografia em vigor. Por este motivo, as formas aconselhadas dos derivados deverão grafar-se com s (ex. queirosiano, queirosianismo, queirosianista), tal como poderá constatar em dicionários de língua portuguesa.

O Acordo Ortográfico de 1990 não altera nada a este respeito.

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Palavra do dia

li·mí·co·la li·mí·co·la


(latim limicola, -ae)
adjectivo de dois géneros
adjetivo de dois géneros

[Zoologia]   [Zoologia]  Que vive na lama ou no lodo (ex.: aves limícolas).

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/queirosianista [consultado em 11-05-2021]