Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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pã´r-do-sol

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Dúvidas linguísticas


Gostaria de saber como se deve pronunciar a palavra item: "item" ou "aitem" como tantas vezes se ouve?
O substantivo português item tem origem no advérbio latino item, com o significado "da mesma forma" ou "também" e é usado em enumerações ou listas. Em português, esta palavra pode significar "artigo" ou "uma das partes de algo". Relativamente à pronúncia da parte final da palavra, parece haver alguma oscilação entre uma pronúncia alatinada ['it3m] (em que se lê a consoante m, como em estrangeirismos como modem) e uma pronúncia de acordo com as regras gerais da terminação -em ['itãj] (em que -em se lê como uma vogal nasal, à semelhança de em ou nuvem). Não há, no entanto, nenhum motivo para pronunciar o i inicial como [ai], pois isso não corresponde à pronúncia desta vogal em português; a pronúncia [ai]tem corresponde a uma influência da pronúncia do inglês (como em iceberg ou em ice tea), que não se justifica neste caso. Os argumentos acima expostos podem aplicar-se a outros latinismos como idem ou ibidem.



Tendo em conta as duas grafias do nome do escritor Eça de Queiroz/Queirós, e sendo certo que a original é a primeira, com z e sem acento, o adjectivo queiroziano, assim grafado, poder-se-ia considerar incorrecto? Não vejo porquê, apesar de só se encontrar, em vários dicionários, queirosiano como derivado de uma actualização (indevida porque desnecessária) do supracitado escritor...
A ortografia do português, como a ortografia de qualquer língua, é um conjunto de regras convencionadas e artificiais que procuram reflectir o sistema fonológico e morfológico da língua, em muitos casos com invocação de motivos etimológicos, desconhecidos da maioria dos utilizadores da língua. A ortografia portuguesa só começou a ter alguma estabilidade a partir do final do séc. XIX, com o início das reformas ortográficas. A instabilidade anterior a esta altura poderá facilmente ser verificada em textos antigos, em dicionários etimológicos ou em dicionários com formas históricas, como o Dicionário Houaiss (edição brasileira da Editora Objetiva, 2001; edição portuguesa do Círculo de Leitores, 2002). Por este motivo, é possível encontrar casos, até no séc. XX, de grafias que nos parecerão muito estranhas, atendendo à ortografia actual, fixada sobretudo a partir da década de 40 do séc. XX, com o Acordo Ortográfico de 1945, para o português europeu e com o Formulário Ortográfico de 1943, para o português do Brasil.

O caso do antropónimo Queiroz/Queirós é um exemplo de tentativa de uniformização ortográfica através da base V do Acordo Ortográfico de 1945, onde se pode ler: “Dada a homofonia existente entre certas consoantes, torna-se necessário diferençar os seus empregos gráficos, que fundamentalmente se regulam pela etimologia e pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita as consoantes homófonas nem sempre permite fácil diferenciação de todos os casos em que se deve empregar uma consoante e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, do mesmo som; mas é indispensável, apesar disso, ter presente a noção teórica dos vários tipos de consoantes homófonas e fixar praticamente, até onde for possível, os seus usos gráficos, que nos casos especiais ou dificultosos a prática do Idioma e a consulta do vocabulário ou do dicionário irão ensinando. [...] 5.° Distinção entre s final de palavra e x e z idênticos: aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português, Queirós, quis, retrós, resvés, revés, Tomás, Valdês [...].”

Este antropónimo tem origem, segundo o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado (Lisboa, Livros Horizonte, 2003), no topónimo Queirós (nas regiões de Barcelos, Lisboa, Seia e Torres Novas), que por sua vez derivará do substantivo comum queiró. A forma Queirós, além de referida no texto do Acordo Ortográfico, está também atestada em várias obras de referência para a língua portuguesa da norma europeia, nomeadamente no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo GONÇALVES (Coimbra, Coimbra Editora, 1966) e no Grande Vocabulário da Língua Portuguesa de José Pedro MACHADO (Lisboa, Âncora Editora, 2001), sendo que nenhuma delas atesta a forma Queiroz.

Refira-se adicionalmente que o intervalo de vida de Eça de Queirós (1845-1900) é anterior aos principais movimentos reformistas da ortografia, que procuraram e procuram maior uniformidade na aplicação de regras (a este respeito, é muito interessante a consulta de A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo CASTRO, Inês DUARTE e Isabel LEIRIA [Lisboa: Ed. João Sá da Costa, 1987]).

Neste caso, e em muitos outros de antropónimos registados antes do acordo de 1945, é possível o uso de ortografias divergentes daquelas preconizadas pelo acordo, pois este prevê, na sua base L, que se possa conservar a “grafia de nomes próprios adoptada pelos seus possuidores nas respectivas assinaturas”, assim como de “firmas comerciais, sociedades, marcas e títulos”. Se isto se pode aplicar a Queiroz e a outros nomes próprios, não poderá, porém, aplicar-se aos seus derivados, que deverão respeitar as regras da ortografia em vigor. Por este motivo, as formas aconselhadas dos derivados deverão grafar-se com s (ex. queirosiano, queirosianismo, queirosianista), tal como poderá constatar em dicionários de língua portuguesa.

O Acordo Ortográfico de 1990 não altera nada a este respeito.

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i·ta·be·ra·ba i·ta·be·ra·ba


(tupi i'ta, pedra + tupi beraba, brilhante)
nome feminino

[Brasil]   [Brasil]   [História]   [História]  Designação dada às minas de pedras ou metais preciosos cobiçadas pelos sertanistas, nas bandeiras ou expedições destinadas a explorar o território brasileiro na época colonial.



in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/p%C3%A3%C2%B4r-do-sol [consultado em 26-03-2021]