Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Uma professora minha disse que nunca se podia colocar uma vírgula entre o sujeito e o verbo. É verdade?
Sobre o uso da vírgula em geral, por favor consulte a dúvida vírgula antes da conjunção e. Especificamente sobre a questão colocada, de facto, a indicação de que não se pode colocar uma vírgula entre o sujeito e o verbo é verdadeira. O uso da vírgula, como o da pontuação em geral, é complexo, pois está intimamente ligado à decomposição sintáctica, lógica e discursiva das frases. Do ponto de vista lógico e sintáctico, não há qualquer motivo para separar o sujeito do seu predicado (ex.: *o rapaz [SUJEITO], comeu [PREDICADO]; *as pessoas que estiveram na exposição [SUJEITO], gostaram muito [PREDICADO]; o asterisco indica agramaticalidade). Da mesma forma, o verbo não deverá ser separado dos complementos obrigatórios que selecciona (ex.: *a casa é [Verbo], bonita [PREDICATIVO DO SUJEITO]; *o rapaz comeu [Verbo], bolachas e biscoitos [COMPLEMENTO DIRECTO]; *as pessoas gostaram [Verbo], da exposição [COMPLEMENTO INDIRECTO]; *as crianças ficaram [Verbo], no parque [COMPLEMENTO ADVERBIAL OBRIGATÓRIO]). Pela mesma lógica, o mesmo se aplica aos complementos seleccionados por substantivos (ex. * foi a casa, dos avós), por adjectivos (ex.: *estava impaciente, por sair) ou por advérbios (*lava as mãos antes, das refeições), que não deverão ser separados por vírgula da palavra que os selecciona.

Há, no entanto, alguns contextos em que pode haver entre o sujeito e o verbo uma estrutura sintáctica separada por vírgulas, mas apenas no caso de essa estrutura poder ser isolada por uma vírgula no início e no fim. Estes são normalmente os casos de adjuntos nominais (ex.: o rapaz, menino muito magro, comeu muito), adjuntos adverbiais (ex.: o rapaz, como habitualmente, comeu muito), orações subordinadas adverbiais (ex.: as pessoas que estiveram na exposição, apesar das más condições, gostaram muito), orações subordinadas relativas explicativas (ex.: o rapaz, que até não tinha fome, comeu muito).




Situemo-nos na área da arquitectura ou da engenharia civil. Imaginemos que falamos de uma tela retesada. Sob tensão. Será erro clamoroso (claro que, clamoroso ou não, pouco importa. Sendo erro...) Mas dizia eu: será erro nesse caso dizer e escrever "tela tensionada"?
Como poderá verificar no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o verbo tensionar (homófono de tencionar), formado a partir da aposição do sufixo -ar à forma latina tensio, -onis (tensão), tem o significado “deixar ou ficar sob tensão”.

É possível usar este verbo com qualquer material passível de extensão ou tensão (ex.: o fio tensionou-se mas não partiu; a altura do salto é controlada pelo monitor, tensionando o cabo), como revelam pesquisas em corpora e em motores de pesquisa da Internet.

O Dicionário Priberam regista também o adjectivo tensionado, particípio de tensionar, com o significado “que está sob tensão; que se tensionou”, pelo que a expressão tela tensionada está correcta.

Palavra do dia

o·ca·ra |ò| o·ca·ra |ò|
(tupi o'kara)
nome feminino

[Brasil]   [Brasil]  Praça de uma aldeia indígena.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/kaffih%C3%BAsi [consultado em 09-08-2020]