Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Como usar o pronome demonstrativo este e esse? Parece-me que seria indiferente, mas muitos consideram que não.
Em português, o sistema dos demonstrativos (pronomes, determinantes e advérbios) é ternário, sendo estruturado em função da proximidade relativa dos interlocutores, quer em relação ao espaço, quer em relação ao tempo.

Assim, os pronomes e determinantes este, esta, estes, estas, o pronome isto e o advérbio aqui estão associados a uma proximidade do falante (ex.: este filme é aborrecido; este dia não me correu bem); os pronomes e determinantes esse, essa, esses, essas, o pronome isso e o advérbio estão associados a uma proximidade do interlocutor de quem fala (ex.: esse livro foi fácil de ler; essa manhã em que fizeste o exame correu mal); os pronomes e determinantes aquele, aquela, aqueles, aquelas, o pronome aquilo e o advérbio ali estão associados a uma relativa distância tanto do falante como do seu interlocutor (ex.: aquele quadro é estranho; aquele foi o seu primeiro dia de trabalho).

Este sistema é por vezes alterado por alguns elementos contextuais, nomeadamente a maior ou menor implicação dos interlocutores. Em algumas variedades do português, nomeadamente no português do Brasil, como refere o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, foi atenuada ou neutralizada a oposição entre este/isto e esse/isso, sendo muito usual o uso de esse/isso nos contextos referidos para este/isto.

O que foi dito acima aplica-se igualmente nos casos de contracções de preposições com os demonstrativos (ex.: desse, deste, daquele; nesse, neste, naquele)

Para mais informação sobre este assunto, poderá consultar a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso CUNHA e Lindley CINTRA (14ª ed., Lisboa, Edições Sá da Costa, 1998, pp. 328-342) ou o Manual de Língua Portuguesa (Portugal-Brasil), de Paul TEYSSIER (Coimbra, Coimbra Editora, 1989, pp.139-147). Como este é um fenómeno semelhante ao da língua espanhola, poderá adicionalmente consultar a pertinente descrição feita na Gramática Descriptiva de la Lengua Española, da Real Academia Española (dir. de Ignacio BOSQUE e Violeta DEMONTE, Madrid, Espasa Calpe, 1999, pp.929-972).




Gostaria de saber como se emprega ...asse ou ...-se.
A questão que nos coloca parece dizer respeito à diferença entre 1) as formas da primeira e terceira pessoas do singular do pretérito imperfeito do conjuntivo (ou subjuntivo, no Brasil) de verbos de tema em -a- (ex.: lavar - Se eu lavasse o casaco com água, ele estragava-se) e em -e- (ex.: comer - Esperava que ele comesse a sopa toda; Não queria que ele vendesse a casa) e 2) as formas da terceira pessoa do singular do presente do indicativo dos mesmos verbos, seguidas do pronome pessoal átono se (ex.: Ele lava-se todos os dias; Come-se bem neste restaurante; Vende-se este carro).

Os exemplos acima indicados (lavasse/lava-se; comesse/come-se e vendesse/vende-se) são formas parónimas, isto é, escrevem-se e pronunciam-se de forma semelhante (mas não igual), tendo, porém, significados diferentes.

Uma estratégia importante para empregar correctamente estas formas diferentes é analisar o contexto em que estão inseridas. Vejamos então os contextos do conjuntivo de 1) e do pronome pessoal de 2):

1) O pretérito imperfeito do conjuntivo é um tempo verbal usado para expor um desejo/pedido num tempo passado ou atemporal (ex.: Esperava que ele comesse a sopa toda; Não queria que ele vendesse a casa) ou uma possibilidade/hipótese no passado ou num momento atemporal (ex.: Se eu gostasse de viajar, já a tinha visitado; Pediu-lhe para não conduzir, caso bebesse). Trata-se sempre, nestes casos, de uma palavra só, pois corresponde apenas a uma forma verbal.
Do ponto de vista da pronúncia, estas formas verbais têm sempre o acento tónico da palavra na penúltima sílaba (ex.: bebesse, comesse, gostasse, vendesse).

2) As formas da terceira pessoa do singular do presente do indicativo seguidas do pronome pessoal átono se podem corresponder a 3 tipos de estruturas diferentes. Trata-se sempre, em qualquer destes três casos, de duas palavras, um verbo no presente do indicativo e um pronome pessoal.
Do ponto de vista da pronúncia, e também nestes três casos, estas formas verbais têm sempre o acento tónico da palavra na penúltima sílaba (ex.: bebe, come, gosta, vende), mas como há um pronome pessoal átono a seguir, é como se a construção verbo+pronome fosse uma palavra só, acentuada sempre na antepenúltima sílaba (ex.: bebe-se, come-se, gosta-se, vende-se).

As três estruturas pronominais diferentes são as seguintes:
2.1) Forma da terceira pessoa do indicativo seguida de um pronome pessoal átono reflexo se. Neste caso, o sujeito faz uma acção sobre si próprio (ex.: Ele lava-se todos os dias.).
Para nunca confundir esta construção com formas do pretérito imperfeito do conjuntivo, poderá, no mesmo contexto e com o mesmo sentido, substituir o sujeito, a forma verbal e o pronome se por outra pessoa gramatical (ex. Ele lava-se --> Tu lavas-te, logo trata-se de verbo+pronome pessoal reflexo).

2.2) Forma da terceira pessoa do indicativo seguida de um pronome pessoal átono que desempenha a função de sujeito indefinido ou indeterminado, com um valor próximo de a gente ou alguém (ex.: Come-se bem neste restaurante).
Para nunca confundir esta construção com formas do pretérito imperfeito do conjuntivo, poderá, no mesmo contexto e com o mesmo sentido, substituir o pronome se por outro sujeito como a gente ou alguém (ex.: Come-se bem neste restaurante --> A gente come bem neste restaurante, logo trata-se de verbo+pronome pessoal sujeito indefinido).

2.3) Forma da terceira pessoa do indicativo seguida de um pronome pessoal átono apassivante se, com um valor próximo de uma frase passiva (ex.: Vende-se este carro).
Para nunca confundir esta construção com formas do pretérito imperfeito do conjuntivo, poderá, no mesmo contexto e com o mesmo sentido, substituir o pronome se por uma construção passiva (ex.: Vende-se este carro --> Este carro é vendido, logo trata-se de verbo+pronome pessoal apassivante).

Palavra do dia

as·sa·ma·ra as·sa·ma·ra
(latim ass[o, -are], assar + latim amara, plural neutro de amarus, -a, -um, amargo)
nome feminino

1. Crosta de gosto amargo dos preparados assados ou torrados.

2. Elemento que comunica o amargor ao café ou a outras substâncias amargas.


SinónimoSinônimo Geral: ASSAMAR

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/innfasing [consultado em 14-08-2020]