Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
Este site utiliza cookies. Ao continuar no site está a consentir a sua utilização. Saiba mais...
pub
pub
pub
pub

pub
gambozinogambozino | s. m.
Sabia que? Pode consultar o significado de qualquer palavra abaixo com um clique. Experimente!

gam·bo·zi·no gam·bo·zi·no
(origem obscura)
substantivo masculino

1. Animal imaginário, para a pesca ou caça do qual se convida uma pessoa considerada ingénua que se pretende enganar. (Mais usado no plural.) = GRAMONILHO, GRAMOZILHO


andar aos gambozinos
[Regionalismo]   [Regionalismo]  Vadiar.

pub

Parecidas

Palavras vizinhas

Esta palavra em blogues

Ver mais
Blogues do SAPO

Esta palavra no Twitter

Dúvidas linguísticas


Por que há diferença entre o português de Portugal e o do Brasil em certas palavras como e.g.: Facto, acto, acção escritas destarte em Portugal e no Brasil fato, ato, ação?
Até à entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, válido para todas as variedades do português, a ortografia do português de Portugal (também designado português europeu) e a ortografia do português do Brasil seguiam dois documentos legais diferentes: para o português europeu, o Acordo Ortográfico de 1945, com alterações em 1973; para o português do Brasil, o Formulário Ortográfico de 1943, com alterações em 1971.

No que diz respeito à manutenção de certas consoantes na escrita, os dois textos legais pronunciavam-se em sentidos diferentes, preconizando o Formulário Ortográfico, válido para o português do Brasil, que “não se escrevem as consoantes mudas que não se proferem” (base IV), com poucas excepções, enquanto o Acordo Ortográfico de 1945, em vigor para o português de Portugal, nas bases VI a VIII, estabelecia várias regras para conservar ou eliminar consoantes. No português europeu, os exemplos apontados (facto/fato, acto/ato, acção/ação) correspondiam a regras diferentes para manutenção da consoante na escrita: em facto, a letra c devia ser conservada, por ser lida na maioria dos casos no português europeu (base VI, 2.º); em acção, esta letra devia também ser conservada na escrita, pois encontra-se “após as vogais a, e e o, nos casos em que não é invariável o seu valor fonético e ocorrem sem seu favor outras razões, como a tradição ortográfica, a similaridade do português com outras línguas românicas, e a possibilidade de, num dos dois países, exercerem influência no timbre das referidas vogais” (base VI, 3.º); em acto, o c mantinha-se, pois, apesar de não ser lido, devia “harmonizar-se graficamente com formas afins em que um c ou um p se mantêm, de acordo com um dos dois números anteriores [os parágrafos 2.º e 3.º já referidos]” (base VI, 4.º), sendo que neste caso específico, acto devia “harmonizar-se” com acção ou activo.

Com a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, na norma europeia do português, a consoante c das palavras acção e acto, por não ser pronunciada, deixa de ser escrita, aproximando-se assim a grafia à pronúncia, o que já acontecia na norma brasileira: ação e ato. Quanto à grafia da palavra facto, na norma europeia do português ela não sofre alteração com a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, uma vez que, diferentemente do que sucede na norma brasileira, o -c- é pronunciado, como se pode verificar pela consulta de dicionários ou vocabulários com transcrição fonética ou ortoépica, nomeadamente no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa ou no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Este caso é semelhante a outros em que as consoantes c e p são pronunciadas (ex.: adaptar, intelectual, pacto, secção) e que, consequentemente, não sofrem alteração no português europeu com a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

Como previsto pelo texto do Acordo Ortográfico de 1990, a existência de duplas grafias é possível nos casos em que a chamada "norma culta" hesita entre a prolação e o emudecimento das consoantes c e p. Por essa razão, escreve-se facto na norma europeia e fato na norma brasileira do português.

Pelo que foi dito anteriormente, e pela própria redacção do Acordo Ortográfico, se pode facilmente concluir que a ortografia é um conjunto de regras convencionadas e, como tal, é artificial e às vezes "pouco amiga do utilizador". A maioria das vezes, é o utilizador da língua que mais lê e mais consulta obras de referência, como dicionários, prontuários e afins, que melhor conhece essas regras e que melhor escreve. O caso das consoantes ou sequências de consoantes apontadas é frequentemente problemático, principalmente para utilizadores da língua que contactam com estas duas variedades do português. Não há nenhuma estratégia para escrever correctamente que não passe pela memorização do léxico e pela interiorização das regras, decorrentes da experiência de leitura e de escrita.




Em http://www.flip.pt/Duvidas.../Duvida-Linguistica/DID/777 vocês concluem dizendo "pois trata-se de uma oração subordinada condicional, introduzida pela conjunção se". Nesse caso, pelas mesmas regras ali expostas, não teria de ser "pois se trata"? O "pois" não atrai nunca próclise?
No português europeu, a conjunção pois não é geralmente um elemento desencadeador de próclise (posição pré-verbal do pronome pessoal átono, ou clítico), a qual, como se referiu na resposta à dúvida posição dos clíticos, está associada a fenómenos gramaticais de negação, quantificação, focalização ou ênfase (vd. Eduardo RAPOSO et al. (orgs.), Gramática do Português, 1.ª ed., vol. II, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013, pp. 2241-2242).


Pesquisas em corpora revelam que, na norma europeia, existem casos da conjunção pois com próclise (ex.: As despesas não aumentaram tanto como as receitas, pois se arredondaram em 26 811 contos) mas comprovam também que, estatisticamente, essa conjunção é mais usada com ênclise (posição pós-verbal do pronome pessoal átono), como na frase Em conclusão, as frases que nos enviou enquadram-se no contexto referido na alínea f), pois trata-se de uma oração subordinada condicional, introduzida pela conjunção se. Essa tendência é também corroborada pela seguinte afirmação de Ana Maria Martins, que se debruça sobre o tema na obra acima citada: «As orações explicativas introduzidas por pois (cf. Caps. 34, 35 e 38) apresentam sempre colocação enclítica dos pronomes átonos (desde que a próclise não seja independentemente motivada) [...].» (vd. Eduardo RAPOSO et al. (orgs.), Gramática do Português, 1.ª ed., vol. II, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013, p. 2299).


Na norma brasileira, dado que a tendência natural é para a colocação do pronome antes do verbo, tal como se afirma na resposta à dúvida amanhã: ênclise ou próclise?, o habitual é a conjunção pois ser mais usada com próclise (ex.: O resultado foi satisfatório, pois se conseguiu atingir o objetivo).

pub

Palavra do dia

tar·ta·ru·gá·ri·o tar·ta·ru·gá·ri·o
(tartaruga + -ário)
substantivo masculino

1. Recipiente ou reservatório onde se conservam ou criam tartarugas ou cágados de pequenas dimensões.

2. Conjunto de instalações onde se disponibilizam tartarugas vivas para estudo e observação.

pub

Mais pesquisadas do dia

Siga-nos



in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/gambozino [consultado em 23-05-2019]