Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Qual a pronunciação correcta da palavra "grou", a ave pernalta?
O grupo ou, que contém duas vogais gráficas, corresponde foneticamente a uma vogal oral (e não a um ditongo) com o som [o], como em ouro, amou ou na conjunção ou (é também o mesmo som que está em todo ou em avô), excepto em algumas ocorrências dialectais, em que corresponde a um ditongo [ow].

Assim, a pronúncia da palavra grou deverá ser [gro], como se a grafia fosse grô.




Tenho uma dúvida com respeito a expressão "nada obstante". Ela é uma expressão de valor concessivo ou adversativo? Em que fontes bibliográficas os senhores me recomendariam pesquisar as definições de "nada obstante"?
Aparentemente, a locução "nada obstante" pode ser usada com os dois valores, adversativo e concessivo. O problema é conseguir distinguir quando se trata de um ou de outro, isto é, quando se trata de uma frase coordenada ou de uma frase subordinada.

A locução "nada obstante" (equivalente a "não obstante"), quando introduz uma frase coordenada é considerada uma locução conjuncional adversativa (ex.: eu estou satisfeito, nada obstante, penso que poderia fazer melhor). Quando introduz uma frase subordinada adverbial, a locução "nada obstante" é considerada uma locução conjuncional concessiva (ex.: penso que poderia fazer melhor, nada obstante eu estar satisfeito).
Teoricamente, são consideradas frases coordenadas aquelas que fazem parte de uma frase complexa e têm a mesma categoria ou a mesma função sintáctica, mas nenhuma relação de subordinação sintáctica entre si. São consideradas subordinadas adverbiais as frases que fazem parte de uma frase complexa e que desempenham a função sintáctica de modificador da frase ou do grupo verbal. Neste caso, poderá ajudar a substituição por outras conjunções ou locuções conjuncionais adversativas (ex.: eu estou satisfeito, mas penso que poderia fazer melhor) ou concessivas (ex.: penso que poderia fazer melhor, embora eu esteja satisfeito; penso que poderia fazer melhor, apesar de eu estar satisfeito), cuja distinção seja mais clara.

Na verdade, a ideia transmitida em ambos os casos é a mesma de oposição a algo, sendo que se valoriza o facto de o que se opõe não ser impeditivo ou não invalidar o que é dito. Aparentemente, só a expressão concessiva permite a anteposição: veja-se a diferença entre a anteposição da coordenada (*nada obstante/mas penso que poderia fazer melhor, eu estou satisfeito [o asterisco indica agramaticalidade]) e da subordinada (ex.: nada obstante/apesar de eu estar satisfeito, penso que poderia fazer melhor).

A distinção entre estas noções é muito ténue e as formulações raramente são claras e inequívocas, como se poderá ver ao consultar o Dicionário Terminológico, por exemplo, na diferença entre as frases coordenadas adversativas e as frases subordinadas concessivas.

Palavra do dia

a·cí·cu·la a·cí·cu·la
(latim acicula, -ae, diminutivo de acus, -us, agulha)
nome feminino

1. [História]   [História]  Espécie de prego ou gancho com que as damas romanas seguravam o cabelo.

2. [Botânica]   [Botânica]  Saliência pontiaguda. = ACÚLEO, ESPINHO

3. [Zoologia]   [Zoologia]  Cerda ou estrutura aguçada no corpo de certos animais.

4. [Zoologia]   [Zoologia]  Designação dada a várias espécies de minúsculos moluscos gastrópodes terrestres do género Acicula.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/M%C3%A4use [consultado em 19-01-2021]