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inapagável

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inapagávelinapagável
( i·na·pa·gá·vel

i·na·pa·gá·vel

)


adjectivo de dois génerosadjetivo de dois géneros

Que não se pode apagar. = INDELÉVEL

vistoPlural: inapagáveis.
etimologiaOrigem etimológica:in- + apagável.
iconPlural: inapagáveis.

Esta palavra no dicionário



Dúvidas linguísticas



Como se pronuncia xenofobia? É xenofobia ou zenofobia?
O x- de xenofobia pronuncia-se ch, como na palavra chave, pois esta é a pronúncia em português para a letra X em início de palavra (ex.: xadrez, xenofobia, xisto, xô). São raros os casos em que a letra x se pronuncia [z] e estes casos correspondem a um contexto intervocálico em algumas palavras começadas por e- (ex.: exagerar, exemplo, existir, exótico, exuberante) ou nos seus derivados (ex.: coexistir, inexacto, preexistir, reexaminar, sobreexaltar [ou sobre-exaltar, segundo o Acordo Ortográfico de 1990 - ver Base XVI, 1.º, alínea b)]).



Na frase "...o nariz afilado do Sabino. (...) Fareja, fareja, hesita..." (Miguel Torga - conto "Fronteira") em que Sabino é um homem e não um animal, deve considerar-se que figura de estilo? Não é personificação, será animismo? No mesmo conto encontrei a expressão "em seco e peco". O que quer dizer?
Relativamente à primeira dúvida, se retomarmos o contexto dos extractos que refere do conto “Fronteira” (Miguel Torga, Novos Contos da Montanha, 7ª ed., Coimbra: ed. de autor, s. d., pp. 25-36), verificamos que é o próprio Sabino que fareja. Estamos assim perante uma animalização, isto é, perante a atribuição de um verbo usualmente associado a um sujeito animal (farejar) a uma pessoa (Sabino). Este recurso é muito utilizado por Miguel Torga neste conto para transmitir o instinto de sobrevivência, quase animal, comum às gentes de Fronteira, maioritariamente contrabandistas, como se pode ver por outras instâncias de animalização: “vão deslizando da toca” (op. cit., p. 25), “E aquelas casas na extrema pureza de uma toca humana” (op. cit., p. 29), “a sua ladradela de mastim zeloso” (op. cit., p. 30), “instinto de castro-laboreiro” (op. cit., p. 31), “o seu ouvido de cão da noite” (op. cit., p. 33).

Quanto à segunda dúvida, mais uma vez é preciso retomar o contexto: “Já com Isabel fechada na pobreza da tarimba, esperou ainda o milagre de a sua obstinação acabar em tecidos, em seco e peco contrabando posto a nu” (op. cit. p.35). Trata-se de uma coocorrência privilegiada, resultante de um jogo estilístico fonético (a par do que acontece com velho e relho), que corresponde a uma dupla adjectivação pré-nominal, em que o adjectivo seco e o adjectivo peco qualificam o substantivo contrabando, como se verifica pela seguinte inversão: em contrabando seco e peco posto a nu. O que se pretende dizer é que o contrabando, composto de tecidos, seria murcho e enfezado.