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chirus

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Dúvidas linguísticas


Inseri, no vosso corrector ortográfico, a palavra “desejante” que, há tempos, vi escrita, erradamente, em vez do adjectivo “desejoso”. Para surpresa minha, o citado corrector, no português de Portugal, não acusa o erro.
A palavra desejante, apesar de não se encontrar registada em nenhum dos dicionários de língua portuguesa à nossa disposição, está averbada no Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras e apresenta-se correctamente formada (através da aposição do sufixo -ante ao verbo desejar), daí a sua inclusão no léxico do corrector ortográfico do FLiP. O adjectivo desejante, cujo uso é bastante frequente (como se pode verificar através de pesquisas em corpora e motores de busca da Internet), partilha do significado do adjectivo desejoso (ex.: ela é uma pessoa desejosa de conhecimento = ela é uma pessoa desejante de conhecimento), apesar de este ser mais frequente e estar já consagrado pelo uso. Ambos resultam de processos regulares de derivação no português, pela junção, respectivamente, do sufixo -ante ao radical de um verbo e do sufixo -oso ao radical de um substantivo.



Em expressões como não análise, não excedente, não conhecimento, não aceitação, não provimento, etc., quando deve ser utilizado, ou não, o hífen?
A utilização do hífen em casos semelhantes aos apresentados é possível e até muito usual.

A palavra não, por se tratar de um advérbio, é uma palavra invariável usada geralmente para modificar um verbo (ex.: não comi), um adjectivo (ex.: pessoa não competente), outro advérbio (ex.: agindo não eficazmente) ou uma frase (ex.: não podemos deixar-nos adormecer) mas em geral não modifica substantivos. Por este motivo, é comum ligar este advérbio por hífen a um substantivo que se lhe segue, mas tal procedimento não é obrigatório, nem é regulado por qualquer indicação nos textos legais em vigor para a língua portuguesa.

O que é dito sobre o hífen no Acordo Ortográfico de 1945 (válido para o português europeu, mas muito semelhante ao que é dito no Formulário Ortográfico de 1943, válido para o português do Brasil) é bastante vago e nada esclarecedor sobre este assunto: “Emprega-se o hífen nos compostos em que entram, foneticamente distintos (e, portanto, com acentos gráficos, se os têm à parte), dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos.” (Base XXVIII [sublinhado nosso]).

O Acordo Ortográfico de 1990 não altera nada a este respeito.

O uso do hífen coloca então muitas dúvidas aos utilizadores da língua, pois não obedece geralmente a critérios lógicos, mas antes a convenções e muitas vezes é justificado devido à tradição de registo em dicionários de língua que funcionam como referência. Neste âmbito, surgem em muitos dicionários entradas com o elemento não- seguido de adjectivos, substantivos e verbos, mas como, em teoria, qualquer palavra de uma destas classes poderia ser modificada pelo advérbio não, o registo de todas as formas possíveis seria impraticável e de muito pouca utilidade para o consulente.

Em conclusão, podemos afirmar que o uso do hífen é possível para ligar o advérbio não a um substantivo; o uso do hífen para ligar o advérbio não a classes que são habitualmente modificadas por advérbios (verbos, adjectivos, advérbios) parece ser desnecessário, dadas as características da classe adverbial, mas nada o impede.

Palavra do dia

ar·tão ar·tão


(grego ártos, -ou, bolo ou pão de farinha de trigo)
nome masculino

[Pouco usado]   [Pouco usado]  Alimento feito de massa de farinha de cereais cozida num forno. = PÃO

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/chirus [consultado em 16-10-2021]