Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Tenho dúvida em diferenciar "Termo da Oração" e "Função Sintática". Numa mesma página dum livro de Gramática, vi três definições de Sujeito: 1) Sujeito É o TERMO DA ORAÇÃO que concorda em número e pessoa com o verbo; 2) Sujeito é, portanto, o NOME de uma FUNÇÃO SINTÁTICA (...); 3) Sob a ótica da Morfossintaxe, Sujeito é NOME de uma função substantiva (...). Entendo que "termo" seja sinônimo de "vocábulo", logo Termo da Oração deveria ser um "pedaço" da oração composto por uma ou mais palavras, vocábulos. E a Função Sintática deveria ser o papel exercido por essa(s) palavra(s) ("termo da oração") na frase. Exemplificando: "A Gramática é confusa." Penso que morfologicamente, "A" é um artigo, "Gramática", um substantivo e o termo desta oração "A Gramática" possui um papel na frase, isto é, uma Função Sintática a qual denomino Sujeito (por "A Gramática" concordar em número e pessoa com o verbo). Pareço estar totalmente de acordo com a definição 2 e parcialmente com a definição 1. Logo, a definição 1 estaria errada, pois estaríamos chamando de Sujeito um conjunto de PALAVRAS e não a função (sintática) que essas palavras exercem, o que acho estranho, pois é de se esperar que não haja um erro como esse num livro de língua portuguesa. A definição 3 parece a mim mais compreensível, no entanto não compreendo o que é a Morfossintaxe. Enfim, gostaria do CONCEITO de "Termo da Oração", de "Função Sintática" - uma vez que não encontro em livros - e de "Morfossinxtaxe, e de que me corrigissem em algo que tenha errado.
Sendo difícil perceber a totalidade da definição de sujeito a partir do texto que nos transcreveu, é possível, no entanto, dizer que as três sequências de texto apresentadas não são três definições, mas antes três partes da mesma definição, pois parecem completar-se para dar a noção do que é o sujeito de uma frase.

Assim, o sujeito é de facto um dos termos principais de uma oração (devendo entender-se termo como um elemento constituinte) e é a parte da oração com que o verbo concorda (ex.: A gramática é confusa; As gramáticas são confusas), mesmo quando há inversão da ordem canónica da frase (ex.: Confusa é a gramática; Confusas são as gramáticas). Por este motivo, o sujeito desempenha uma função sintáctica importante na frase (devendo entender-se função sintáctica como uma relação gramatical entre os diferentes sintagmas de uma frase), estabelecendo ligações com os outros constituintes frásicos, nomeadamente relações de concordância, mesmo quando não está explícito na frase (ex.: [eu] Fico atento quando [eu] penso que isso é verdade). O sujeito pode ser constituído por apenas uma palavra (ex.: Maria tem grandes encantos; ela é um doce), por um grupo nominal mais ou menos complexo (ex.: A Maria tem grandes encantos; O irmão da Maria é o João; O pai e a mãe do João e da Maria saíram), ou por uma frase (ex.: Quem comete uma infracção está sujeito às consequências; O facto de ele se ter enganado surpreende-me), mas em qualquer um dos casos trata-se de um grupo nominal (ou de uma função substantiva, como é referido na questão, isto é, de uma função desempenhada por um substantivo ou por um conjunto de palavras com valor de substantivo), sendo que qualquer um dos sintagmas acima pode ser pronominalizado por um pronome pessoal sujeito (ex.: Ela tem grandes encantos; Ele é o João; Eles saíram; Ele está sujeito às consequências) ou por um pronome demonstrativo invariável, no caso de frase completiva (ex.: Isso surpreende-me).

Podemos ainda acrescentar que a morfossintaxe é uma parte da gramática ou da descrição linguística que estuda combinadamente a morfologia e a sintaxe (cujas definições poderá encontrar seguindo as hiperligações para o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).




Acabo de reparar que nas Definições - Acordo Ortográfico de 1990 - Variedade do Português - distinguem-se duas Normas, uma Europeia e outra Brasileira. A minha pergunta é: Porque é que a norma utilizada em PORTUGAL é designada por norma europeia - que eu saiba não existe mais nenhum país na Europa cuja língua oficial seja o Português - quando a norma utilizada no Brasil é designada por norma brasileira e não sul americana?
Vejo isso como uma descriminação em relação ao país onde nasceu a língua portuguesa. Já encontrei na internet entidades, que ganham dinheiro a ensinar a língua portuguesa, a afirmar que o português falado no Brasil é mais puro do que aquele que é falado em Portugal. Duvido que as entidades brasileiras aceitassem de braços caídos que a versão da língua portuguesa que eles falam fosse designada como Norma Sul Americana.
As designações "norma europeia", "português europeu" ou "variedade europeia" não foram criadas pelo Dicionário Priberam, nem constituem qualquer discriminação, antes correspondem a conceitos terminológicos utilizados nos estudos linguísticos e no ensino do português, nomeadamente no que diz respeito à variação geográfica. As designações "europeu" e "de Portugal" ou "português" são consideradas sinónimas no contexto geral em que são usadas, da mesma forma que são usadas as designações "do Brasil" ou "brasileiro", a par de "americano" ou "sul-americano" (ainda que estas duas últimas sejam aparentemente menos utilizadas).

A título de exemplo, podemos destacar quatro casos paradigmáticos deste uso:
  • " Celso Cunha (1917-1989, linguista brasileiro) e Lindley Cintra (1925-1991, linguista português), na Nova Gramática do Português Contemporâneo (7.ª ed., Rio de Janeiro: Lexikon, 2017; 1.ª edição: Lisboa: João Sá da Costa, 1984; Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985), referem as "normas europeia e americana do português" (p. XXIV) e distinguem dentro das variedades do português, os "dialetos do português europeu", dividindo-os em setentrionais, centro-meridionais e galegos (p. 24), a par dos "dialetos das ilhas atlânticas" e dos "dialetos brasileiros".
  • " Na Introdução à Linguística Geral e Portuguesa, de Isabel Hub Faria et al. (Lisboa: Caminho, 1996), no capítulo "Variação linguística", as autoras referem que "o Português está vivo na sua variante europeia e na sua variante sul-americana, por exemplo, cada uma delas divisível em variedades linguísticas menores, numericamente inferiores, que ocupam áreas geográficas mais restritas. No entanto, todas elas partilham um conjunto de traços gramaticais que não difere substancialmente, embora o Português do Brasil tenda a seguir um rumo autónomo, divergente, na sua evolução [...]" (p. 483).
  • " Na Gramática da Língua Portuguesa, de Maria Helena Mira Mateus et al. (Lisboa: Caminho, 2003), Isabel Hub Faria refere que "em línguas com larga história de expansão mundial e de mobilidade dos seus falantes nativos, observa-se a existência de variedades que se vão progressivamente fixando e autonomizando, até ser possível caracterizá-las como variedades locais ou mesmo nacionais. É nessa perspectiva que distinguimos entre a variedade europeia do português que designamos e português europeu (PE) e variedade brasileira do português ou português brasileiro (PB)" (p. 34) [destacado a negro da autora].
  • " O Dicionário Terminológico (consultado em 2020-07-06), ferramenta do Ministério da Educação e Ciência do Governo Português para o ensino básico e secundário do português, refere-se à "variedade europeia do português", a par das "variedades africanas" e da "variedade brasileira".

Esta distinção que usa os adjectivos europeu e americano é usada também em relação a outras línguas, designadamente o espanhol ou o francês. Veja-se, a título de exemplo, as referências ao espanhol europeu no "Prólogo" da Nueva gramática de la lengua española (Madrid: Real Academia Española / Asociación de Academias de la Lengua Española, 2016): "Tiene [...] más sentido [...] mostrar separadas las opciones particulares que pueden proceder de alguna variante, sea del español americano o del europeo. [...] Al igual que se emplea en lingüística la expresión francés europeo (el de Francia, Bélgica y Suiza) para oponerlo al canadiense o al hablado en otras partes del mundo, se adopta el término de español europeo para hacer referencia al hablado en España. Como es obvio, español europeo no equivale a español peninsular, ya que solo el primero incluye los territorios insulares españoles."

As terminologias contribuem para a organização do conhecimento, nomeadamente do conhecimento técnico e científico, e os termos podem ser questionados e revistos, mas cremos que estas designações pretendem ser descritivas e não configuram qualquer juízo de valor sobre as variedades linguísticas.

Palavra do dia

a·di·a·fo·ri·a a·di·a·fo·ri·a


(grego adiaforía, -as, indiferença)
nome feminino

1. [Filosofia]   [Filosofia]  Indiferença originada pela impossibilidade de atingir ou compreender a verdade. = ACATALEPSIA, ADIAFORISMO

2. [Medicina, Psicologia]   [Medicina, Psicologia]  Ausência de resposta a estímulos devido a exposição anterior a esses estímulos.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/sindic%C3%AF%C2%BF%C2%BD%C3%AF%C2%BF%C2%BDncia [consultado em 31-07-2021]