Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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cavalaria

cavalariacavalaria | n. f.
1ª pess. sing. cond. de cavalarcavalar
3ª pess. sing. cond. de cavalarcavalar
Sabia que? Pode consultar o significado de qualquer palavra abaixo com um clique. Experimente!

ca·va·la·ri·a ca·va·la·ri·a


(cavalo + -aria)
nome feminino

1. Grande quantidade de cavalos. = MANADA

2. Grupo de homens a cavalo.

3. Tropa montada.

4. Equitação.

5. [Militar]   [Militar]  Conjunto dos cavalos de um corpo de cavalaria.

6. Proeza (de cavaleiro andante).

7. Qualidade dos que na guerra iam a cavalo e não a pé.


meter-se em cavalarias altas
[Informal]   [Informal]  Meter-se em empresas superiores às próprias forças.


SinónimoSinônimo Geral: CAVALERIA


ca·va·lar ca·va·lar


(cavalo + -ar)
adjectivo de dois géneros
adjetivo de dois géneros

1. Relativo a cavalo (ex.: espinhaço cavalar).

2. Da raça do cavalo (ex.: gado cavalar).

3. [Informal]   [Informal]  Que é muito grande (ex.: porção cavalar; ignorância cavalar). = COLOSSAL, DESCOMUNAL, ENORME

verbo intransitivo

4. [Informal]   [Informal]  Correr ou dar saltos como os cavalos. = CAVALOAR

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Dúvidas linguísticas


Uma dúvida que tenho é sobre a expressão "um outro". No Word, o corretor ortográfico sempre interfere quando a utilizo, dizendo-me para substituí-la por apenas "outro". É errada essa expressão?
Relativamente à expressão "um outro" (ex.: é preciso ver a questão sob um outro prisma) que o seu corrector do Word assinala como erro, sugerindo a substituição por apenas “outro”, trata-se antes de um caso de redundância, do foro da estilística. Estamos perante a sequência de duas classes gramaticais com o mesmo valor indefinido, ou seja, ambas deixam indeterminada uma identidade em particular, pelo que a primeira, mas não a segunda, pode ser omitida sem perda de significado (ex.: é preciso ver a questão sob outro prisma). Nem sempre estes casos de redundância são sentidos como erros por todos os falantes, sobretudo quando não interferem com a clareza do discurso ou quando visam marcar determinada ênfase, pelo que, em última instância, o seu uso depende da sensibilidade linguística de cada falante.



Tendo em conta as duas grafias do nome do escritor Eça de Queiroz/Queirós, e sendo certo que a original é a primeira, com z e sem acento, o adjectivo queiroziano, assim grafado, poder-se-ia considerar incorrecto? Não vejo porquê, apesar de só se encontrar, em vários dicionários, queirosiano como derivado de uma actualização (indevida porque desnecessária) do supracitado escritor...
A ortografia do português, como a ortografia de qualquer língua, é um conjunto de regras convencionadas e artificiais que procuram reflectir o sistema fonológico e morfológico da língua, em muitos casos com invocação de motivos etimológicos, desconhecidos da maioria dos utilizadores da língua. A ortografia portuguesa só começou a ter alguma estabilidade a partir do final do séc. XIX, com o início das reformas ortográficas. A instabilidade anterior a esta altura poderá facilmente ser verificada em textos antigos, em dicionários etimológicos ou em dicionários com formas históricas, como o Dicionário Houaiss (edição brasileira da Editora Objetiva, 2001; edição portuguesa do Círculo de Leitores, 2002). Por este motivo, é possível encontrar casos, até no séc. XX, de grafias que nos parecerão muito estranhas, atendendo à ortografia actual, fixada sobretudo a partir da década de 40 do séc. XX, com o Acordo Ortográfico de 1945, para o português europeu e com o Formulário Ortográfico de 1943, para o português do Brasil.

O caso do antropónimo Queiroz/Queirós é um exemplo de tentativa de uniformização ortográfica através da base V do Acordo Ortográfico de 1945, onde se pode ler: “Dada a homofonia existente entre certas consoantes, torna-se necessário diferençar os seus empregos gráficos, que fundamentalmente se regulam pela etimologia e pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita as consoantes homófonas nem sempre permite fácil diferenciação de todos os casos em que se deve empregar uma consoante e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, do mesmo som; mas é indispensável, apesar disso, ter presente a noção teórica dos vários tipos de consoantes homófonas e fixar praticamente, até onde for possível, os seus usos gráficos, que nos casos especiais ou dificultosos a prática do Idioma e a consulta do vocabulário ou do dicionário irão ensinando. [...] 5.° Distinção entre s final de palavra e x e z idênticos: aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português, Queirós, quis, retrós, resvés, revés, Tomás, Valdês [...].”

Este antropónimo tem origem, segundo o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado (Lisboa, Livros Horizonte, 2003), no topónimo Queirós (nas regiões de Barcelos, Lisboa, Seia e Torres Novas), que por sua vez derivará do substantivo comum queiró. A forma Queirós, além de referida no texto do Acordo Ortográfico, está também atestada em várias obras de referência para a língua portuguesa da norma europeia, nomeadamente no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo GONÇALVES (Coimbra, Coimbra Editora, 1966) e no Grande Vocabulário da Língua Portuguesa de José Pedro MACHADO (Lisboa, Âncora Editora, 2001), sendo que nenhuma delas atesta a forma Queiroz.

Refira-se adicionalmente que o intervalo de vida de Eça de Queirós (1845-1900) é anterior aos principais movimentos reformistas da ortografia, que procuraram e procuram maior uniformidade na aplicação de regras (a este respeito, é muito interessante a consulta de A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo CASTRO, Inês DUARTE e Isabel LEIRIA [Lisboa: Ed. João Sá da Costa, 1987]).

Neste caso, e em muitos outros de antropónimos registados antes do acordo de 1945, é possível o uso de ortografias divergentes daquelas preconizadas pelo acordo, pois este prevê, na sua base L, que se possa conservar a “grafia de nomes próprios adoptada pelos seus possuidores nas respectivas assinaturas”, assim como de “firmas comerciais, sociedades, marcas e títulos”. Se isto se pode aplicar a Queiroz e a outros nomes próprios, não poderá, porém, aplicar-se aos seus derivados, que deverão respeitar as regras da ortografia em vigor. Por este motivo, as formas aconselhadas dos derivados deverão grafar-se com s (ex. queirosiano, queirosianismo, queirosianista), tal como poderá constatar em dicionários de língua portuguesa.

O Acordo Ortográfico de 1990 não altera nada a este respeito.

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Palavra do dia

in·tru·jão in·tru·jão


(intrujar + -ão)
adjectivo e nome masculino
adjetivo e nome masculino

1. Que ou aquele que engana, intruja. = ALDRABÃO, BURLÃO, IMPOSTOR, TRAPACEIRO

2. [Brasil]   [Brasil]  Que ou o que recebe o produto de um furto para o vender.


SinónimoSinônimo Geral: INTRUJA

Feminino: intrujona.Feminino: intrujona.
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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/cavalaria [consultado em 10-05-2021]