Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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álacre mente
alactamento (norma brasileira)
alvarmente (norma brasileira)
lacteamente (norma brasileira)

Caso a palavra que procura não seja nenhuma das apresentadas acima, sugira-nos a sua inclusão no dicionário.
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Dúvidas linguísticas


No novo acordo ortográfico está assinalado que os axiônimos (pronomes de tratamento e expressões de reverência) só são usados com a inicial minúscula: senhor doutor Joaquim da Silva, excelentíssimo senhor, etc. Nesse item são inseridos os títulos também apesar dessa palavra nãos estar grafada no texto do acordo, só são colocados os exemplos: bacharel Mário Abrantes, cardeal Bembo. Todavia verifiquei que há estudiosos da língua, que ao comentarem o Novo Acordo Ortográfico (1990) citam que os axiônimos e títulos podem ter o uso facultativo de inicial maiúscula ou minúscula, podendo ser escritos: bacharel/Bacharel Mário Abrantes, cardeal/Cardeal Bembo, excelentíssimo senhor Augusto Barroso/ Excelentíssimo Senhor Augusto Barroso. Afinal, as iniciais dos axiônimos e títulos podem ser escritas somente com minúscula ou aceitam o uso facultativo em minúscula/maiúscula?
O Acordo Ortográfico de 1990 altera alguns usos decorrentes das disposições do Acordo Ortográfico de 1945 e do Formulário Ortográfico de 1943, os textos legais anteriormente em vigor, respectivamente, para a norma europeia e para a norma brasileira do português.

Desconhecendo os comentários dos estudiosos da língua que refere, podemos apenas indicar que, relativamente à designação de formas de tratamento ou de reverência (axiónimos), a alínea f) do ponto 1º da Base XIX do Acordo de 1990 estipula claramente que os mesmos devem ser escritos com inicial minúscula (ilustrando com os exemplos senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o cardeal Bembo), como, aliás, menciona na sua mensagem. A mesma alínea ressalva a possibilidade de se usar minúscula inicial ou maiúscula inicial apenas no caso de nomes de santos ou nomes próprios ligados à religião (hagiónimos), como santa Filomena, que também pode ser grafado Santa Filomena. A Base XIX termina com a seguinte nota: “As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras reconhecidas internacionalmente.” Esta observação não parece contemplar a facultatividade de inicial minúscula ou maiúscula no caso dos axiónimos, pelo que, à luz do texto legal, os axiónimos devem ser escritos com inicial minúscula.




No vosso dicionário em rede definem o verbo encriptar como um termo informático que significa "criar código para tornar secreto um documento". Estou completamente em desacordo com a existência deste verbo e com esta definição. Os conceitos de cifra e decifra de texto ou de outra informação são tão antigos como a própria escrita, muito antes de existir informática, e têm os verbos estabelecidos em português desde há muito: cifrar e decifrar. O termo encriptar é um anglicismo infelizmente muito usado e que tem como origem um abastardamento do verbo anglo-saxónico to encrypt. Infelizmente, no mundo da informática, no qual trabalho e onde essa tradução errada muito surge, é normal que por preguiça se abuse das traduções erradas por proximidade de escrita, mas na minha opinião isso deve ser contrariado quando não faz qualquer sentido. Assim, eu concedo que seja difícil ou impossível traduzir eficazmente conceitos como firewalls, spam, etc. mas não usar os verbos cifrar e decifrar para usar encriptar (e decriptar ou desencriptar) já me parece negativo. Ou concordam com a existência do verbo printar (em vez de imprimir)? E scanar (em vez de digitalizar)?
A questão não é pacífica, como acontece sempre que há interferências linguísticas externas, mas parece um pouco redutor tratar encriptar da mesma forma que printar, scanar ou até downloadar.

Se analisarmos a palavra encriptar, verificamos que, do ponto de vista morfológico, ela é bem formada (ao contrário de printar, scanar ou downloadar, que partem de segmentos inexistentes em português), derivando de en + cripta + ar.

Do ponto de vista semântico, ela sofreu um enriquecimento (por influência do inglês to encrypt, é certo) tal como aconteceu, aliás, com outras palavras portuguesas (ex.: aceder, alocar, compactar, compilar, configurar, digitalizar, etc.), que ganharam sentidos novos no domínio informático.

Assim sendo, parece não haver motivos linguísticos (a não ser a sensibilidade linguística de cada falante) que impeçam a utilização de encriptar e derivados como sinónimos de cifrar e derivados:

(1) É preciso encriptar / cifrar o canal.
(2) É preciso desencriptar / decifrar o canal.

(3) Curso de encriptação / cifração.
(4) Curso de desencriptação / decifração.

(5) Ficheiros encriptados / cifrados.
(6) Ficheiros desencriptados / decifrados.

A língua e alguns dicionários que a descrevem já dão conta desses factos linguísticos. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa regista efectivamente, na entrada encriptar, o sentido primeiro de “colocar em cripta ou túmulo”, sentido esse dicionarizado desde o séc. XIX, no Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Lisboa, 1899), de Cândido de Figueiredo, a par do sentido “codificar”, que questiona. Os gramáticos e os dicionários não parecem ter dúvidas quanto à existência do verbo encriptar, mas não se entendem quanto à acepção do domínio informático. Por exemplo, o Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora, 2004) e o Dicionário Aurélio (Nova Fronteira, 1999) registam apenas essa acepção de informática, pelo que o assunto promete permanecer polémico.


Palavra do dia

ma·ta·-sãos ma·ta·-sãos
(espanhol matasanos)
substantivo masculino de dois números

[Informal]   [Informal]  Médico ou curandeiro incompetente. = CHARLATÃO, MATA-SANOS

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/%C3%A0lacremente [consultado em 20-02-2019]