Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


1 - Constatei no dicionário os seguintes vocábulos: Cartão-de-visita, Cartão de crédito. Porquê a utilização de hífen num caso e a não-utilização de hífen no outro?

2 - Verifiquei as seguintes ortografias: Caldo-verde e Caldo verde. Qual a correcta?

A utilização do hífen na língua portuguesa é decididamente muito complexa. Pode recomendar-me algum livro/publicação sobre a utilização do hífen ?
A utilização ou não de hífen em determinada grafia, difícil de sistematizar em poucas linhas, rege-se pelo texto legal vigente em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1945 (Dec.-Lei n.º 35:228 de 8 de Dezembro de 1945, em particular o disposto nas bases XXVIII a XXXII) ou pela tradição lexicográfica. Este último critério corresponde ao registo em vocabulários ou dicionários de língua, considerados obras de referência, e está na base da aceitação das formas cartão-de-visita, cartão de crédito e caldo verde.
Adicionalmente, pode consultar um qualquer prontuário ortográfico sobre o mesmo tópico, como, por exemplo, o de Magnus Bergström e Neves Reis, Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, 42.ª ed., Lisboa: Editorial Notícias, 1997 (pp. 29-33).




Como usar o pronome demonstrativo este e esse? Parece-me que seria indiferente, mas muitos consideram que não.
Em português, o sistema dos demonstrativos (pronomes, determinantes e advérbios) é ternário, sendo estruturado em função da proximidade relativa dos interlocutores, quer em relação ao espaço, quer em relação ao tempo.

Assim, os pronomes e determinantes este, esta, estes, estas, o pronome isto e o advérbio aqui estão associados a uma proximidade do falante (ex.: este filme é aborrecido; este dia não me correu bem); os pronomes e determinantes esse, essa, esses, essas, o pronome isso e o advérbio estão associados a uma proximidade do interlocutor de quem fala (ex.: esse livro foi fácil de ler; essa manhã em que fizeste o exame correu mal); os pronomes e determinantes aquele, aquela, aqueles, aquelas, o pronome aquilo e o advérbio ali estão associados a uma relativa distância tanto do falante como do seu interlocutor (ex.: aquele quadro é estranho; aquele foi o seu primeiro dia de trabalho).

Este sistema é por vezes alterado por alguns elementos contextuais, nomeadamente a maior ou menor implicação dos interlocutores. Em algumas variedades do português, nomeadamente no português do Brasil, como refere o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, foi atenuada ou neutralizada a oposição entre este/isto e esse/isso, sendo muito usual o uso de esse/isso nos contextos referidos para este/isto.

O que foi dito acima aplica-se igualmente nos casos de contracções de preposições com os demonstrativos (ex.: desse, deste, daquele; nesse, neste, naquele)

Para mais informação sobre este assunto, poderá consultar a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso CUNHA e Lindley CINTRA (14ª ed., Lisboa, Edições Sá da Costa, 1998, pp. 328-342) ou o Manual de Língua Portuguesa (Portugal-Brasil), de Paul TEYSSIER (Coimbra, Coimbra Editora, 1989, pp.139-147). Como este é um fenómeno semelhante ao da língua espanhola, poderá adicionalmente consultar a pertinente descrição feita na Gramática Descriptiva de la Lengua Española, da Real Academia Española (dir. de Ignacio BOSQUE e Violeta DEMONTE, Madrid, Espasa Calpe, 1999, pp.929-972).

Palavra do dia

mu·sá·ce·o mu·sá·ce·o
(latim científico musa, do árabe musah, banana + -áceo)
adjectivo
adjetivo

1. [Botânica]   [Botânica]  Relativo ou semelhante à bananeira.

2. [Botânica]   [Botânica]  Relativo às musáceas (ex.: planta musácea).

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/m%C3%A9hnyakr%C3%A1k [consultado em 22-09-2020]