Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dúvidas linguísticas


Gostaria de saber qual a grafia correta na língua portuguesa dentre as palavras citadas: moçarela, mossarela, mozarela, muçarela, mussarela, muzarela, mozzarela, muzzarela. Acredito que seja a primeira, mas tenho alguma dúvida.
O aportuguesamento de estrangeirismos coloca muitas vezes problemas de adaptação e sistematização ortográfica.

Das variantes que refere, mozarela é o aportuguesamento mais consensual da forma italiana mozzarella, estando registado em quase todos os dicionários de língua portuguesa. Para além desta forma, encontram-se registadas no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa outras formas, também registadas em outros dicionários e vocabulários.

A forma muçarela está atestada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (VOLP-ABL), no Dicionário Houaiss, no Dicionário Aurélio e no Dicionário Aulete. Menos consensuais são as formas moçarela (atestada no Dicionário Aurélio), mussarela (atestada no Dicionário Aulete) e muzarela (atestada no VOLP-ABL).

Pesquisas em corpora e motores de busca indicam que todas as formas diferentes de mozarela e da forma italiana mozzarella são pouco usadas no português europeu.




Queria perguntar-vos sobre a utilização de em ou no/na antes de nos referirmos a lugares. Porque dizemos no Porto mas não na Lisboa? Porque tanto se diz na França como em França? Existe alguma regra para a utilização ou não de artigo definido (e respectivas contracções) quando nos queremos referir a um local? Por exemplo: porquê dizer fui ao Funchal e não fui a Funchal?
O uso de artigos definidos (o, a os, as) antes de topónimos (isto é, nomes próprios que designam lugares geográficos) não corresponde a uma regra rígida na língua portuguesa. As indicações dadas por gramáticas e prontuários são em geral fluidas e por vezes contraditórias, pelo que as respostas a questões relacionadas com este assunto raramente podem ser peremptórias.

Na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso CUNHA e Lindley CINTRA (Lisboa, Edições João Sá da Costa, 14.ª ed., 1998, pp. 228-231), são elencadas algumas indicações para o uso ou não do artigo definido com nomes geográficos.

Preconiza-se nomeadamente o uso de artigo antes de nomes de “países, regiões, continentes, montanhas, vulcões, desertos, constelações, rios, lagos, oceanos, mares e grupos de ilhas” (ex.: a Suíça, a Escandinávia, a Europa, o Pico, o Etna, o Sara, o Centauro, o Guadiana, o Tanganica, o Índico, o Adriático, as Baleares), mas facilmente um falante se lembrará de muitos contra-exemplos para estas indicações (a própria gramática lista alguns deles: Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau, Timor, Andorra, Israel, São Salvador, Aragão, Castela, Leão).

Do mesmo modo se indica que não se usa geralmente o artigo definido “com os nomes de cidades, de localidades e da maioria das ilhas”, mas logo se apresentam contra-exemplos, nomeadamente os casos de nomes de cidades e localidades que derivam de um substantivo comum (a Guarda, o Porto, o Rio de Janeiro, a Figueira da Foz).

Estas indicações gerais são úteis e correspondem provavelmente à maioria dos casos, mas os muitos casos que as contrariam (é significativa a lista de excepções ou contra-exemplos que as gramáticas apresentam) tornam a decisão de empregar ou não o artigo quase dependente de cada topónimo e da experiência linguística do falante.

Há ainda casos de topónimos como Espanha, França, Itália, Inglaterra ou Chipre em que é oscilante o uso ou não de artigo (ex.: foi viver para (a) Espanha).

O topónimo Funchal é usado sobretudo precedido de artigo (ex.: viajo amanhã para o Funchal; estou no [= em + o] Funchal; vou ao [= a + o] Funchal) e poderá incluir-se na categoria de nomes de cidades ou localidades “que se formaram de substantivos comuns” (CUNHA e CINTRA, p. 230).

Palavra do dia

ar·ca·no ar·ca·no
(latim arcanus, -a, -um, fechado, escondido, discreto, oculto, secreto)
adjectivo
adjetivo

1. Que encerra ou contém mistério ou segredo profundo. = ENIGMÁTICO, OCULTO, MISTERIOSO, SECRETO

2. Que é difícil de compreender.

substantivo masculino

3. Aquilo que contém uma causa oculta ou incompreensível. = ÁDITO, ENIGMA, MISTÉRIO, PENETRAIS, SEGREDO

4. Lugar secreto.

5. Remédio secreto.

6. Cada uma das cartas do tarô.

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/Tempelpriesterschaft [consultado em 18-11-2019]