Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Dentando (norma brasileira)
Tentável (norma brasileira)
Ventanilha (norma brasileira)

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Dúvidas linguísticas


Desde sempre usei a expressão quando muito para exprimir uma dúvida razoável ou uma cedência como em: Quando muito, espero por ti até às 4 e 15. De há uns tempos para cá, tenho ouvido E LIDO quanto muito usado para exprimir o mesmo. Qual deles está certo?
No que diz respeito ao registo lexicográfico de quando muito ou de quanto muito, dos dicionários de língua que habitualmente registam locuções, todos eles registam apenas quando muito, com o significado de “no máximo” ou “se tanto”, nomeadamente o Grande Dicionário da Língua Portuguesa (coordenado por José Pedro Machado, Lisboa: Amigos do Livro Editores, 1981), o Dicionário Houaiss (Lisboa: Círculo de Leitores, 2002) e o Dicionário Aurélio (Curitiba: Positivo, 2004). A única excepção é o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências (Lisboa: Verbo, 2001), que regista como equivalentes as locuções adverbiais quando muito e quanto muito. Do ponto de vista lógico e semântico, e atendendo às definições e distribuições de quando e quanto, a locução quando muito é a que parece mais justificável, pois uma frase como quando muito, espero por ti até às 4 e 15 seria parafraseável por espero por ti até às 4 e 15, quando isso já for muito ou demasiado. Do ponto de vista estatístico, as pesquisas em corpora e em motores de busca evidenciam que, apesar de a locução quanto muito ser bastante usada, a sua frequência é muito inferior à da locução quando muito. Pelos motivos acima referidos, será aconselhável utilizar quando muito em detrimento de quanto muito.



Gostaria de saber se é correto usar vírgula antes de conjunção e?
O uso da vírgula, como o da pontuação em geral, é complexo, pois está intimamente ligado à decomposição sintáctica, lógica e discursiva das frases. Tradicionalmente, os sinais de pontuação (como o ponto, a vírgula, o ponto e vírgula e os dois pontos) têm sido entendidos como uma transposição para a escrita das pausas e do ritmo melódico da oralidade. Veja-se, a este respeito, o cap. 21, pp. 639-664, da Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso CUNHA e Lindley CINTRA (14ª ed., Lisboa, Edições Sá da Costa, 1998). Este ponto de vista, apesar de muito divulgado e ensinado em contexto escolar, conduz a equívocos e dúvidas que dificilmente podem ser esclarecidos com esta forma de análise. Como exemplo do que acabou de ser dito, podemos referir que, se a vírgula servisse para indicar uma pausa, como é usualmente referido, seria possível uma vírgula separar grupos inseparáveis, como o sujeito do grupo verbal ou o verbo de um seu complemento obrigatório (ex.: *o rapaz, não comeu, nada; o asterisco indica agramaticalidade), pois na oralidade poderá ser feita uma pausa. Assim, e cada vez mais, a pontuação vem sendo entendida como um conjunto de sinais para tornar mais clara a sintaxe e a lógica do discurso, relacionando-se directamente com as construções sintácticas utilizadas e com a estrutura do discurso. Da mesma forma, no ensino, parece haver crescente consciência de que a pontuação não pode nunca ser ensinada isoladamente, mas deve acompanhar o estudo das diversas estruturas sintácticas.

Neste contexto, e servindo o ponto final, na sua essência, para delimitar uma unidade do discurso (período) iniciada por maiúscula, a vírgula surge como o delimitador de algumas estruturas sintácticas dentro do período.

Especificamente sobre a questão colocada, quando a vírgula indica uma coordenação não deverá anteceder a conjunção e, mas poderá surgir antes se apresentar a função de isolar ou separar determinado constituinte sintáctico.

Depois desta reflexão, analisem-se, a título de exemplo, as frases abaixo:
a) Ele respeita os sinais de trânsito, especialmente os limites de velocidade, e observa todas as regras.
b) As proibições, as obrigatoriedades e os limites de velocidade foram respeitados.

Em a), verifica-se utilização de vírgula a seguir à conjunção e porque entre as duas orações (Ele respeita os sinais de trânsito / observa todas as regras), coordenadas por esta conjunção, há um complemento adverbial, pertencente à primeira oração (especialmente os limites de velocidade), que tem de ser separado por vírgulas. O uso desta vírgula é independente do uso da conjunção e, pois, apesar de a vírgula ser usada muitas vezes para indicar uma coordenação, não está limitada a essa utilização. Se não existisse na frase o complemento adverbial especialmente os limites de velocidade, não haveria motivo para utilizar a vírgula antes da conjunção e (ex.: Ele respeita os sinais de trânsito e observa todas as regras.). Podemos concluir que em a) a vírgula tem a função de isolar o complemento adverbial que especifica o sintagma nominal os sinais de trânsito.

Em b), não poderá ser usada a vírgula antes da conjunção e, pois nesta frase a única função da vírgula é indicar uma coordenação (a frase é equivalente a As proibições e as obrigatoriedades e os limites de velocidade foram respeitados.). Como a coordenação já está indicada pela conjunção e, a vírgula não deve ser usada (alternativamente poderia haver uma frase em que a coordenação fosse feita exclusivamente com vírgulas: Proibições, obrigatoriedades, limites de velocidade foram respeitados.).

Servindo a pontuação e, mais especificamente, a vírgula, para delimitação de unidades sintácticas e orientação do leitor na leitura do texto, a relação entre as vírgulas e as pausas apenas é pertinente quando se trata da leitura oral de um texto, e não no sentido inverso, isto é, não na correspondência da marcação de vírgulas num texto a partir de pausas da oralidade, como sugerem muitos prontuários, gramáticas, dicionários e docentes. A este respeito, assinale-se pela positiva a definição de vírgula dada pelo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa/Verbo, 2001): "Sinal ortográfico de pontuação (,) que serve para separar ou isolar membros de uma frase e que corresponde, na leitura oral, a uma pausa de curta duração."

Palavra do dia

bi·cho·-da·-ba·ta·ta·-do·ce bi·cho·-da·-ba·ta·ta·-do·ce
substantivo masculino

[Entomologia]   [Entomologia]  Insecto lepidóptero da família dos esfingídeos (Agrius convolvuli), cuja lagarta tem um apêndice semelhante a um corno na zona caudal e cujo adulto é uma mariposa de grandes dimensões. = BICHARVÃO

Plural: bichos-da-batata-doce.Plural: bichos-da-batata-doce.
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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/Fentanil [consultado em 20-08-2019]